Robert Cray e a elegância de sempre

Estadão

17 de dezembro de 2012 | 22h26

Marcelo Moreira

Houve um tempo em que guitarristas elegantes e ecléticos eram menosprezados e subestimados por certa parcela do público de jazz e blues nos anos 80 – supostos puristas que adoravam rotular de “som comercial” a música delicada e mais acessível de artistas como George Benson e Robert Cray. O tempo se encarregou de mostrar o equívoco dessa parcela do público e não fez a menor diferença.

É justamente o caso de Cray, um dos grandes guitarristas da chamada “safra oitentista” do blues. “Nothin But Love”, seu novo trabalho, mantém todo os elementos que lhe deram a fama justa que carrega: acordes precisos, pegada elegante e excelência nos arranjos.

Assim como o AC/DC tem como característica o som imutável e imediatamente reconhecível dentro do rock, o mérito de Robert Cray no álbum mais rec ente é ser justamente Robert Cray. Não há inovações estilísticas, nem grandes arroubos de virtuosismo técnico, muito menos a tentativa de fazer algo memorável. A opção pela simplicidade e por apenas fazer boa música, neste caso, é mais do que acertada.

E os acertos são muitos, e um deles é a escalação de Kevin Shirley (Iron Maiden e Dream Theater, entre outros) como produtor. Experiente e meticuloso, consegue deixar o timbre de Cray ainda mais cristalino, ao mesmo tempo em que também dá tratamento de qualidade aos arranjos de cordas e metais, ressaltando timbres delicados e detalhes rítmicos. “I’m Done Cryin’”, um blues de arrepiar, é melhor retrato de todas as virtudes que este bom CD tem.

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