Ritchie Blackmore, o homem da terra de ninguém

Estadão

16 de setembro de 2012 | 07h11

 Paulo Severo da Costa

“Achei o blues limitador demais, e a música clássica era muita disciplinada… Sempre fiquei em uma terra de ninguém musical”. Limite e disciplina nunca foram o forte do autor da frase: RICHARD HUGH BLACKMORE, o errático, o bipolar, o resultado alquímico -hibrido entre BACH e SON HOUSE é uma tese de doutorado cujo objeto é o limiar entre a sanidade e o “ fuck off” absoluto no mainstream do rock n´roll.

Amplo desconhecedor de regras, BLACKMORE colocou seu xamanismo barroco a favor da fundição elétrica do rock; se HENDRIX fundiu a microfonia e o lirismo, se MORRISON conduziu WILLIAN BLAKE pela sala dos passos perdidos rumo ao caos, o inglês elevou a Stratocaster ao patamar de primeiro violino orquestral, traduziu a linguagem dos riffs para um mundo renascentista o qual o filho mestiço do blues desconhecia por completo até então.

Perguntado sobre a preferência sobre seus registros respondeu: “Não sei, faz muito tempo e não escuto os discos que gravei.” Sobre seu repertório em shows, já disse: “Fico muito entediado e distraído facilmente. Nunca consigo lembrar partes, linhas, qualquer coisa do conjunto”. Na melhor tradição dos gênios, as inclinações naturais do guitarrista colocam a genialidade e a urbanidade em pontos tão eqüidistantes quanto os Pólos; odiado por muitos de seus colegas de palco, BLACKMORE mantém as luvas de duelo tão a vista quanto seus líquidos e modais solos; nunca planeja, tampouco recua.

“Burn”, “Stargazer”, “Black Night”- cada peça do guitarrista evoca ao trabalho preciso e narcísico de um Grão Mestre em sua área- são cultos à paciência de um escultor sonoro devotado e que só presta contas a si próprio. BLACKMORE é o resultado dialético da oposição entre egoísmo e a iluminação, o apolíneo racional e o dionisíaco desbundado dentro do mesmo corpo.

MALMSTEEN? “: Não é PAGANINI e acha que é”. STEVE RAY VAUGHAN?” Não fez nada de extraordinário”. Mais do que plantar a semente da discórdia, BLACKMORE se tornou um alvo fácil da polemização barata – “ ouviremos grandes composições dele” e o “vibrato dele era sensacional” aparecem como comentários adicionais àqueles – mas nunca aparecem nas páginas marrons. BLACKMORE já se habituou ao papel de herege, de fascista do hard rock- e se diverte no papel. É um estranho – mas não está nem aí.

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