Rita Lee: a ovelha negra ainda está na ativa

Estadão

05 de fevereiro de 2012 | 16h13

Pedro Antunes

“Deus me livre e guarde de você”, repete Rita Lee em Reza, sua primeira canção inédita desde Balacobaco, disco de 2003. A música, que integra seu novo disco RADAR (em fase de finalização e que a Biscoito Fino coloca nas lojas no final de abril), chegou ontem à internet para provar que a promessa da cantora será levada a sério. Há duas semanas, Rita anunciou pelo Twitter que estava deixando os palcos, mas que se tornaria uma “rata do estúdio”.

Agora oficialmente aposentada dos palcos, Rita Lee se mostra revigorada. Ontem, em seus canais oficiais na web (site, Facebook e YouTube), Reza foi apresentada por ela, num vídeo amador, como uma letra que clama por proteção espiritual. “É reza de proteção, coisa de benzedeira, invejas, raivas, pragas, mantenha distancia. Porque o santo é forte. A gente fala do universo, como se nada fosse, como se fosse tudo que é”, diz a cantora, como se estivesse no meio do mato, de óculos escuros e com o característico cabelo vermelho curiosamente despenteado.

Rita Lee cantando na Virada Cultural de São Paulo (FOTO: ERNESTO RODRIGUES/AE)

Esta é mais uma composição com o maestro (e maridão) Roberto de Carvalho, com quem Rita tem uma parceria desde 1976. Reza segue a mesma sonoridade de Balacobaco, disco que vendeu 550 mil cópias impulsionado pelo sucesso de Amor e Sexo, faixa que figurou na trilha sonora de Celebridade, de 2003, novela do horário nobre da TV Globo.

E se no palco Rita Lee precisa do suporte de backing vocals, no estúdio, ela se garante. A voz, já rouca, leva numa canção que cresce aos poucos, acompanhada por uma bateria bem marcada.

Reza é um rockabilly, com vocais gospel acompanhando a cantora, uma guitarra sincopada que apenas marca o tempo – salvo um solo no meio da faixa. Rita Lee, que nunca foi muito adepta da Jovem Guarda que tanto importava o rock americano e inglês para o Brasil, agora passeia por todos os gêneros sem medo.

A idade (64 anos) lhe permite ver a música de outro modo. São duas estrofes que se repetem. Ali, Rita pede proteção do divino, quer cuidar da sua vida, sem o tradicional olho gordo alheio.

Confusão em Aracaju

Uma letra que não poderia vir em melhor hora. Naquele que era o seu último show, no sábado passado, em Aracaju (SE), Rita Lee brigou com policiais quando ainda estava no palco. Segundo conta a cantora, eles estavam agredindo pessoas do seu fã-clube. Rita chegou a ser detida, mas logo foi liberada. O vídeo se alastrou pela internet e iniciaram os boatos de que a cantora estaria defendendo o uso de maconha em seu show, também desmentido por ela. Talvez um pouco de reza não faça mal, mesmo.

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