Revigorado, Shaman anuncia Russell Allen, do Symphony X, como produtor do próximo CD

Estadão

14 de dezembro de 2012 | 06h47

Marcelo Moreira

Em um ano em que o heavy metal tradicional brasileiro finalmente ressurgiu com o novo trabalho de Andre Matos, a consolidação do Almah como banda e a volta do Viper – para não falar no retorno do Angra aos ensaios –, eis que o quarteto Shaman decide sair da hibernação.

Depois de gravar em Nova York o interessante videoclipe “Nocturnal Human Side”, a primeira música inédita da banda desde o álbum “Origins”, de 2010, o grupo anuncia que fará uma parceria com o cantor norte-americano Russell Allen na produção do próximo CD.

Allen, que é vocalista dos grupos Symphony X e Adrenaline Mob, ficou bastante amigo dos integrantes do Shaman especialmente durante a gravação do clipe, onde foi o convidado especial. Ele já teve uma experiência como produtor de seu próprio trabalho solo”Atomic Soul”, lançado no início dos anos 2000, voltado mais para o stoner metal.

“Já haviamos nos ‘esbarrado’ mundo a fora, mas na noite em que tocamos no Festival Metal Open Air, ele ficou assistindo nosso show quase que inteiro na lateral do palco, junto com alguns outros músicos que tocaram e tocariam na noite, tais como o pessoal do Anvil e também o baixista do Megadeth, David Ellefson. Logo em seguida de nosso show, Symphony X subiu pra se apresentar, aí foi nossa vez de ficar assistindo ao show deles.. (risos)”, diz o vocalista Thiago Bianchi.

Cena do clipe “Nocturnal Human Side”

O cantor revela que as adversidades enfrentadas no fracassado festival de São Luís, no Maranhão, e a forma como Shaman e Symphony X encararam os problemas tocando em respeito aos fãs reforçou a “admiração mútua e a amizade”. “Tocamos como se fosse o maior show de nossas vidas, não importando se o cachê tinha sido pago ou não ou se a estrutura estava a contento ou não, apenas em dar àquelas pessoas que ali estavam, uma grande noite. A partir dali, a amizade continuou por trabalhos trocados, internet e afins.”

Sobre a questão da eventual falta de experiência do músico norte-americano, o baixista Fernando Quesada mostra total confiança na decisão: “O álbum da banda Adrenaline Mob,  Allen participou da produção É um álbum digno de aplausos em pé tanto em questão musical, quanto em questão de produção musical. O fato é que o Russell fez trabalhos admiráveis por onde passou e estamos muito felizes em poder ter ele junto no barco para esse novo álbum do Shaman. Com certeza o álbum terá muitos elementos de prog metal. Estamos nos desafiando neste álbum, alcançando nossos limites como músicos. Vai ser bem interessante”.

 

Thiago Bianchi (esq.) e Russell Allen em Nova York

Como ocorreu o contato com Russell Allen?

Thiago Bianchi – Já haviamos nos “esbarrado” mundo a fora, mas na noite em que tocamos no Festival Metal Open Air, ele ficou assistindo nosso show quase que inteiro na lateral do palco, junto com alguns outros músicos que tocaram e tocariam na noite, tais como o pessoal do Anvil e também o baixista do Megadeth, David Ellefson. Logo em seguida de nosso show, Symphony X subiu pra se apresentar, aí foi nossa vez de ficar assistindo ao show deles. (risos)

Um pouco antes do Megadeth entrar, rolou uma cerveja nos corredores dos camarins (como inclusive é normal de acontecer nesses festivais) e foi onde nos conhecemos e passamos a conversar. Apesar de todos aqueles, já bem conhecidos por todos, problemas que o festival passava, todas as bandas daquela noite estavam muito felizes por terem subido ao palco afim de dar àquele público que ali sofria com todos os acontecimentos, grandes apresentações. 

E foi justamente esse o assunto que nos conectou e que engrenou admiração mútua, pois ambas tocaram como se fosse o maoir show de suas vidas, não importando se o cachê tinha sido pago ou não ou se a estrutura estava a contento ou não, apenas em dar àquelas pessoas que ali estavam, uma grande noite. A partir dali, a amizade continuou por trabalhos trocados, internet e afins.

 Fernando Quesada – Ele é uma excelente pessoa, com uma energia positiva muito grande! É um prazer poder ter esse contato com ele e poder trabalhar com ele. 

Ele não tem grande experiência como produtor, já que no Symphony X a produção fica a cargo do guitarrista. O álbum solo dele, Atomic Soul, tem uma pegada mais hard rock/stoner rock. Vocês levaram em consideração isso quando definiram o nome dele para produzir o novo álbum? O som deve pender para essa vertente ou pode ter elementos de prog metal?

Ricardo Confessori (bateria) – Eu diria que ele não tem nome como produtor, mas experiencia ele tem de sobra, visto o grande numero de CD’s que ele trabalhou compondo, acompanhando o processo e interagindo. Todos ótimos CDs,  sempre com um trabalho impecável.

 Thiago Bianchi – Somos fãs de tudo que ele faz como músico. Sabemos do que ele contribui, e onde,  em cada um de seus discos. Por outro lado, somos muito seguros como músicos e produtores. Sabemos bem o que queremos. O mais importante é que sentimos que estamos na mesma página entre banda e produtor, no sentido de caminhar rumo ao disco mais completo de nossas carreiras. 

Como ficam os papéis de Bianchi e Confessori, que são conceituados produtores dentro do metal nacional?

Fernando Quesada – Tanto o Bianchi quanto o Confessori continuam fazendo a produção junto no album. Os dois são admiráveis e sempre fizeram trabalhos incriveis no Shaman e em várias outras bandas! O Bianchi em seu estúdio sempre guiou grande parte do material do Shaman e continuará fazendo parte disso. Neste álbum quisemos dar mais tempo para desafiarmos nossos instrumentos e o Bianchi poder desafiar mais a sua voz e ficarmos um pouco menos envolvidos com alguns processos da produção. Buscamos uma sonoridade um pouco diferente e estamos mudando algumas coisas! Mas com certeza sem o dedo de Bianchi e Confessori, não vamos ter algo com a nossa cara, por isso estarão presentes!

 Ricardo Confessori –  Vamos continuar fazendo o nosso trabalho, com o foco  no trabalho mais coletivo com o Russell, ao invés de ter cada qual fazendo a parte  que já tem mais experiência. Será diferente, porque teremos tempo de ouvir outras opiniões, pois é claro que vamos querer ouvir a opinião dele. Faremos uma demo antes do CD, coisa que não fazíamos havia muito tempo. 

Thiago Bianchi – Já estamos nessa estrada de produzir nossos próprios CDs, DVDs e etc. Era hora de mudar. Antes até de contatarmos o Russell, já havíamos combinado que nesse próximo disco trabalharíamos com algum produtor de fora da banda. Nossos trabalhos continuarão os mesmos dentro da banda e até mesmo como produtores, mas ter esse cara, com toda essa bagagem, toda essa visão, trazendo tudo isso junto ao resultado de nossa história, com certeza será um grande “choque de mundos” e estamos muito ansiosos para sentir o resultado. 

A banda com Allen (centro) durante as filmagens

Onde será gravado esse álbum com Russell Allen? Ele deverá participar de outras faixas, além daquela que foi gravada como clipe?

Ricardo Confessori – Gravaremos em diversos estúdios, cada qual com a sua especialidade de instrumento e disponibilidade de equipamento. Existem estúdios com mais “gear” de guitarra e baixo que outros; há locais com salas melhores para bateria, com microfones melhores. Buscaremos o melhor de cada etapa. Para mixagem ainda não fechamos com ninguém, mas já temos vários engenheiros de som em vista.

Thiago Bianchi – Infelizmente meu estúdio não ficará pronto para a feitura dessa demo, então sinceramente não sei onde faremos as gravações. Mas isso, como qualquer outra faceta da música no Brasil, não faltarão excelentes estúdios e profissionais para contribuírem e trocarem experiências conosco.

 Fernando Quesada – Ainda estamos na fase da pré produção e vamos decidindo qual estudio é melhor para cada coisa. Algumas coisas gravadas fora do país, outras gravadas aqui. 

2012 foi um ano importante para o heavy nacional, com André matos lançando um bom CD, o Viper voltando, o Almah virando banda de verdade e Kiko Loureiro ganhando reconhecimento internacional com seu mais recente trabalho. O Shaman acaba de gravar um clipe em Nova York, um investimento poderoso para marcar a volta do grupo à atividade nomal. O que mudou desde o Rock in Rio 2011 para que a cena tivesse uma revitalizada? 

Fernando Quesada – Acredito que a música é cíclica. E vejo a luz do túnel chegando mais perto em 2013! Após o Rock In Rio ficou evidente que é legal variar! Que muitas bandas mereciam estar lá, gostariam de estar lá e fariam um papel mais legal do que diversas bandas que estavam. Isso trouxe um sentimento de “quero estar no próximo”, ou simplesmente de “eu posso fazer melhor”, e isso deu gás e um estímulo para todos voltarem a investir, se profissionalizar e correr atrás. Estou muito contente com a cena, lançamentos e com certeza vamos fazer parte disso no primeiro semestre do ano que vem. 

Bianchi – Todo ano é importante para o metal no Brasil. O que tem acontecido é que, infelizmente, as bandas têm tido que se reinventar cada vez mais pra poder garantir seu espaço no meio musical brasileiro, já que a mídia dá cada vez menos espaço e, logo, o público fica sabendo cada vez menos de suas bandas do coração. Mas graças ao cosmos que existem espaços como esse do Estadão (Estadão.com) que sempre apoiaram não só o Shaman, mas também a cena metal nacional.

A conexão com Allen pode render algo além do CD, ou seja, uma turnê ou alguns shows nos Estados Unidos? Ou até mesmo quem sabe abrindo para o Symphony X? 

 Thiago Bianchi – Sim, estamos com conversas em estado bem adiantado para turnês em conjunto com Symphony X e Adrenaline Mob.

 Fernando Quesada – Pode e vai render muitas coisas. 

Quais são hoje os selos/gravadoras que representam o Shama no Brasil e no exterior? Esse modelo de distribuição/relacionamento ainda é viável em 2012?

Fernando Quesada – Para o novo lançamento ainda estamos decidindo e fazendo algumas mudanças. Modelo que funciona de distribuição e relacionamento em 2012 /2013 eu vou ficar devendo uma explicação(risos) ! Estamos no meio de uma grande transição de sistemas e modelos. É dificil dizer se é o melhor, pior. O que podemos é tentar. Temos longas reuniões sobre venda digital, venda física, tipo de mídia etc… Mas confesso que quero ainda ter mais certeza para poder falar. 

Ricardo Confessori – Até o momento estávamos com a Voice Music no Brasil, a Marquee na Ásia e Japão e a Scarlet na Europa. Pretendemos trocar todas elas e obter uma nova configuração de gravadoras para 2013. Vamos esperar e ver.

 

 

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