Renovado e aliviado, Dream Theater brilha em São Paulo

Estadão

28 de agosto de 2012 | 12h00

Marcelo Moreira

Uma banda mais relaxada, emotiva e mais solta, brincando o tempo todo e sem a menor preocupação com o tempo. O Dream Theater esteve tão à vontade no Credicard Hall no último domingo, em São Paulo, que nem parecia que estava saindo de um período turbulento, com a perda de um de seus líderes.

Foram 2 horas e 50 minutos de show, em uma verdadeira celebração do rock. O quinteto norte-americano que praticamente definiu o metal progressivo não fez concessões ao público ou ao passado e privilegiou o material do século XXI.

Eles até incluíram algumas pérolas, como “A Fortune in Lies”, “6:00”, “Spirit Carries On” e o bis com a maravilhosa “Metropolis – part 1”, mas carregou mesmo nos temas mais sombrios e pesados, onde os músicos puderam exibir todo o virtuosismo e a técnica invejada que possuem.

Foi um show bastante pesado, mais até que o último em São Paulo, em 2010, mas de extremo bom gosto. O novo baterista, Mike Mangini, que substitui o ex-líder e lenda do estilo Mike Portnoy, parecia que sempre estivera nas baquetas do Dream Theater. Preciso, pesado e extremamente técnico, deu um dinamismo diferente ao poderoso som da banda. Difícil dizer que ficou melhor, mas sem dúvida a música está um pouco diferente.

Como já era previsível, o tecladista Jordan Rudess ganhou muito mais espaço e seus solos intrincados e complexos permearam quase todas das músicas em toda a apresentação. Nas músicas do último álbum, “A Dramatic Turn of Events”, ele chegou a dividir o protagonismo com o novo “chefe”, o guitarrista John Petrucci.

James LaBrie eem noite espendorosa no show de São Paulo (Rafael Koch Rossi/Divulgação)

A hipnótica e agressiva “Bridges in the Sky”, do último trabalho, entrou com tudo e arrebatou a plateia no primeiro minuto – público que, ao menos na pista, era formado por muito mais gente nova do que as apresentações anteriores o que é um alento para uma banda que completa 30 anos de atividade em 2015.

Antes do expressivo solo de bateria de Mangini, a banda emendou sem perder o fôlego uma sequência pesada e extremamente técnica “The Dark Eternal Night”, “This is the Life”, “The Root of All Evil” e “Lost Not Forgotten”.

Com o jogo ganho e total reverência do público, Dream Theater fez questão de dizer que se sentiu recompensado: um show de quase três horas e muitas piadas entre os membros, coisa que havia muito não ocorria nos shows da banda.

Uma nova fase, sem dúvida, acompanha por uma leva de novos fãs vidrados em peso e técnica musical de altíssima qualidade. São poucas as bandas que se reinventaram tão rápido e de forma aparentemente bem-sucedida. O Dream Theater é uma delas.

Lista de músicas

Bridges in the Sky
6:00
The Dark Eternal Night
This is the Life
The Root of All Evil
Lost Not Forgotten
Solo de bateria
A Fortune in Lies
The Silent Man
Beneath the Surface
Outcry
Solo de teclado
Surrounded
On the Backs of Angels
War Inside My Head
The Test that Stumped Them All
Dueto de teclado e guitarra
The Spirit Carries On
Breaking All Illusions
Metropolis Part 1: The Miracle and the Sleeper

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