Reflexão sobre o clássico

Estadão

12 de outubro de 2010 | 08h10

Marcos Burghi

O clássico, na música pop, teria data de validade? Faço a pergunta ao me lembrar de que este mês completaram-se 40 anos da morte de Janis Joplin, no dia 4, e de que John Lennon, vivo fosse, teria feito 70 anos no sábado, dia 9.

A impressão que tenho é de que, ao contrário do que acontece com Jimi Hendrix, Jim Morisson, mortos respectivamente em setembro de 1970 e julho de 1971, e outros de seus contemporâneos que ainda formam o cenário pop, a cantora texana e o ex-Beatle não são mais considerados estrelas de primeira grandeza na história do rock.

Dona de uma marcante interpretação de Summertime, clássico da trilha de Porgy and Bess, “opereta” dos irmãos George e Ira Gershwin, para dizer o mínimo, Janis Joplin parece estar longe da lista de destaque considerada por fãs do gênero.

O mesmo parece ocorrer com John Lennon, cuja imagem foi desgastada pelas sucessivas execuções de Imagine e de Happy Xmas (War is over), que ganhou até uma terribilíssima versão em português cantada por Simone com o nome de Então é Natal.

Há tempos não ouço citarem Janis e Lennon como integrantes do primeiro time do gênero, o que acontece compreensivelmente com Hendrix, Morisson e Freddie Mercury, por exemplo. Até Kurt Cobain, que teve sua importância mas não deve ficar para a história, é mais lembrado atualmente. Particularmente, acho Janis Joplin especialmente talentosa, já Lennon, à parte dos Beatles, vejo como um artista bastante comum, apesar de polêmico.

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