Redescoberto, Jeff Buckley viveu pouco para o tamanho de sua música

Estadão

28 de fevereiro de 2011 | 16h28

Paola Messina – Rádio Eldorado 

“…A voz é a essência. Pergunte a qualquer cantor. A coisa mais reveladora que você possa fazer” (Jeff Buckley, 1966 – 1997)

No início dos anos 90 o garoto tímido de Anaheim, Califórnia, mostrou exatamente isso quando chegou à Nova York. Todas as segundas-feiras, do lado de fora do bar Sin-é no East Village, uma multidão de curiosos se juntava na calçada para ouvir um músico magro e pálido, sozinho no meio do salão e sempre abraçado a sua fiel Blonde Fender Telecaster. Foi assim que começou a breve, mas impactante carreira de Jeff Buckley.

 Cantor morreu de maneira trágica no ano de 1997 Cantor morreu de maneira trágica no ano de 1997 – Reprodução

O primeiro e aclamado disco, Grace (1994), foi o único lançado antes de sua morte precoce em maio de 1997. O músico nadava no rio Wolf (afluente do Mississipi) e, segundo o amigo e única testemunha, Keith Foti, cantava Whole Lotta Love quando foi inesperadamente levado pela correnteza.

 Na lista dos 100 melhores vocalistas de todos os tempos da revista Rolling Stone, Buckley permanece em 39º lugar, não só por ser tecnicamente infalível, mas pela sua capacidade de transcender gêneros.

Ele emociona com rendições a cappella de clássicos como Strange Fruit, encara com atitude sonoridades de peso como o punk e o rock e, em seguida, convence a todos de que suas cordas vocais nasceram para o soul. De qualquer forma, em qualquer contexto, o cantor se deixou levar pela música.   

Jeff Buckley partiu cedo, mas em pouco tempo deixou uma marca única. Suas músicas não foram limitadas por gêneros que entravam e saíam de moda. Grace é um disco redescoberto a cada dia e citado como influência por vários artistas, entre eles Patty Griffin e PJ Harvey.  

Outros álbuns foram lançados após a morte do cantor, como Sketches for My Sweetheart the Drunk (1998), uma compilação de músicas que Buckley pretendia lançar no disco sucessor de Grace.

A vida do rockstar será retratada em breve num longa-metragem, com James Franco ou Robert Pattinson no papel do principal. Será mais uma rara oportunidade de se aproximar de uma obra tão pungente e atual.

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