Red Hot Chili Peppers faz show sem pimenta, com pipoca

Estadão

02 de setembro de 2011 | 17h00

Pedro Antunes

Os quatro integrantes do Red Hot Chili Peppers pareciam nervosos. Pela primeira vez na história da banda, um show seria transmitido ao vivo para o mundo. No total, 39 países exibiram, anteontem à noite, em seus cinemas, uma apresentação do quarteto californiano. Era também a primeira vez que as músicas do décimo álbum de estúdio do grupo, I’m With You (lançado mundialmente naquela mesma data), seriam executadas ao vivo, no Lanxess Arena, em Colônia, na Alemanha.

O JT foi conferir o show da banda em uma sala do Shopping Cidade Jardim. Afinal, eles virão tocar aqui em São Paulo, no dia 21 de setembro, na Arena Anhembi e, três dias depois, vão ao Rock In Rio. Ver o show no cinema proporcionou uma experiência gozada de estar, ao mesmo tempo, tão próximo e tão longe da banda. Ao final de cada música, alguns batiam palmas (tímidas) e outros não desgrudavam de seu saco de pipoca. Havia uma sensação de estranhamento e uma certa frieza da plateia na sala.

Depois de 20 minutos com entrevistas dos integrantes – nas quais se diziam ansiosos – e com o público alemão disposto numa organizada fila, a contagem regressiva acabou. Fim das entrevistas e do papo furado. Era hora da banda mostrar o vigor do novo trabalho.

Primeiro, apareceu o baterista com a cara do ator Will Ferrell, Chad Smith, seguido pelo baixinho e baixista Flea. Surgiu, então, o novo Chilli Pepper Josh Klinghoffer, guitarrista que substitui John Frusciante, todo de preto e com cabelo tigelinha. Anthony Kiedis foi o último a aparecer, com um sobretudo colorido, descamisado e exibindo um bigodão.

“Apenas uma música do álbum ficará fora”, explicou Kiedis, um pouco antes. Even You, Brutus? foi a escolhida. Veio a híbrida Monarchy of Roses, que traz uma sonoridade suja nos primeiros 40 segundos e, depois, volta ao rock light dos últimos tempos. O som baixo do cinema atrapalhou a compreensão geral da música. Ponto para o show ao vivo.

Klinghoffer, ao vivo, derrapou em momentos contundentes das músicas, perdendo muito o tempo de entrada e saída, bagunçando o som de uma forma geral. Ao mesmo tempo, sua presença foi mais sentida do que na versão de estúdio, na qual ele é engolido pelos outros três membros. Já nos dois clássicos executados, Me & My Friend e Give It Away, parecia brigar com a guitarra. Mas, de forma geral, ele deu um sabor diferente ao som do Chili Peppers.

Flea e Kiedis conversavam muito com o público, o tempo todo. O baixista, sempre agitando os braços compulsivamente, como se precisasse relaxar os tendões. Em dado momento, ele pediu para que lhe dessem um tempo para descansar. O disco, ao vivo, ganhou peso e, apesar dos erros, teve mais a cara do Chilli Peppers. Ainda assim, é estranho ver o show e comer pipoca. No próximo dia 9, haverá uma reexibição, mas os locais não foram divulgados.

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