Rápidas impressões de alguns dos principais shows de maio

Estadão

21 de maio de 2011 | 08h00

Marcelo Moreira

Para os mais puristas, o que ocorreu em São Paulo em maio foi uma heresia; para outros, menos exigentes, mas igualmente fanáticos, foi uma dádiva. U.D.O. e Aceept passaram pela cidade e tocaram em um espaço de uma semana. A banda U.D.O. é liderada por Udo Dirkschneider, o vocalista original do Accept, que voltou à ativa em 2008 com sua formação quase original – Udo recusou a reunião, sendo substituído pelo norte-americano Mark Tornillo.

Em uma rápida passada, vão aqui resenhas resumidas dos dois bons shows que agitaram o meio roqueiro, assim como as apresentações de The Cult e Ian Anderson, do Jethro Tull:

U.D.O. – Carioca Club, 7 de maio

 Energia, carisma e muito bom humor caracterizaram a apresentação do baixinho alemão com voz de Pato Donald. Pela segunda vez na cidade, o veterano cantor mostrou uma competência enorme ao passear por clássicos do Accept e de us alonga carreira solo. Divulgado o álbum recém-lançado “Rev-Raptor”, começou a toda velocidade com a ótima “The Bogeyman”. Na sequência vieram “Dominator”, “Independence Day” e “The Bullet and the Bomb”, pesadíssimas, para emendar dois clássicos do Accept, “Restless and Wild” e “Son of a Bitch”.  “Thunderball” e “Vendetta” mantiveram o pique, mas a casa veio abaixo mesmo com “Princess of the Dawn”, mais um clássico do Accept. No final, mas clássicos: “Metal Heart” e duas da carreira solo, “Man and Machine” e “Animal House”. Um dos grandes shows do ano.

Accept – Carioca Club – 15 de maio

 A banda alemã estreou no Brasil em alto estilo: o novo álbum “Blood of the Nations” está vendendo bastante e a turnê mundial está com ingressos esgotados em muitos países. Não foi diferente por aqui. Mark Tornillo, que substitui Udo, é um monstro ao vivo e tem uma garganta privilegiada, sendo que em alguns momentos chegou a superar o seu antecessor. Espertos, os integrantes misturaram bastante a lista de músicas, tocando clássicos de todas as fases. Estiveram lá “Metal Heart”, “Breaker”,  “Starlight”, “Fast as a Shark”, “Restless and Wild”, “Princess of the Dawn” e “Up to the Limit”. A abertura teve “Teutonic Terror”, do novo álbum, em uma versão mais pesada e rápida, mostrando uma banda afiada e com garra. Para encerrar o show, o megahit “Balls to the Wall”. Uma aula de metal oitentista por conta de um de seus principais expoentes.

Motley Crue – 17 de maio – Credicard Hall

Um hard rock festivo, mas sem muito brilho. Essa foi a tônica da banda norte-americana durante os seus quase 30 anos de carreira. Teve lá seus dias de glória, mas na maior parte do tempo patinou na falta de criatividade e nos longos hiatos enytre as várias separações. Por isso tudo é que o show paulistano do quarteto surpreendeu tanto. Pesado, rápido e com energia, o Motley Crue fez tudo o que se imagina em um bom show de hard rock. Os vários hits estavam lá, como “Live Wire”, “Dr, Feelgood”, “Looks That Kill”, “Shout At the Devil” e músicas mais novas, como “Saint of Los Angeles” e ajudaram a dissipar qualquer dúvida sobre a apresentação. Um grande show.

Ian Anderson – Credicard Hall – 14 de maio

Não é muito comum Ian Anderson tocar sem o Jethro Tull, ainda mais fora da Europa. Todo mundo esperava um show acústico e intimista, mas o que se viu foi um incansável cantor e flautista revivendo os melhores momentos de sua banda ao vivo, totalmente plugado. Aos 63 anos, não deu bola para as desconfianças de parte do público e fez uma excelente apresentação – e, na parte triste da coisa, mostrou que o Jethro Tull verdadeiro “não fez falta”. Seja como for, é claro que o show foi baseado no repertório de sua banda criada em 1968. A avalanche de hits foi estupenda: “Living In The Past”, “A New Day Yesterday”, “Songs From The Wood”, “Budapest”, “Aqualung”.  Nada de novo, o que pode ser considerado extremamente positivo. Um show prevísíviel, mas muito longe de ter sido decepcionante.

The Cult – HSBC Brasil – 14 de maio

O quarteto britânico sempre gostou do Brasil. Nem mesmo o fato de que foi no Rio de Janeiro que a banda acabou pela primeira vez, em 1994, faz com que o vocalista Ian Astbury e o guitarrista Billy Duffy tenham qualquer mágoa com o país. Eles adoram o público, o sol e as caipirinhas. O show deste mês teve mais demonstrações de apreço ao Brasil e trouxe uma banda mais descontraída, mas despojada. Foram várias as brincadeiras com o público, que respondeu com uma vibração intensa. A performance nada teve de diferente. Foi um show competente, com empolgação, mas sem grandes excessos. E, como em qualquer show de bandas com mais de 30 anos de carreira, revisitaram boa parte de sue repertório histórico, com hits atrás de hits: “Rais”, “Wild Flower”, “She Sells Sanctuary”, “Love Removal Machine”, “Fire Woman”…

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