Rápida passagem por lançamentos recentes

Estadão

14 de setembro de 2011 | 16h05

Marcelo Moreira

Os meses de julho e agosto foram fartos de lançamentos interessantes e de qualidade, indo do classic rock ao heavy metal. Gigantes como Alice Cooper, Dream Theater e Anthrax retornam a mercado com trabalhos consistentes e que são candidatos sérios a entrar na lista dos melohores do ano. Veja abaixo uma rápida passada por alguns destes lançamentos:

 

Dream Theater – “A Dramatic Turn of Events” – Para conter uma crise, trabalho duro e pesado. O trauma da saída – e depois tentativa de volta – do baterista Mike Portnoy em 2010 gerou muita ansiedade e dúvidas a respeito do futuro da banda seu o seu “chefe”. O novo álbum traz a resposta e mostra uma urgência e uma velocidade que o anterior, “Black Clouds and Silver Lining”, não tinha. O metal progressivo de extremo bom gosto está lá, com ótimas suítes e solos inspirados de guitarra. Os teclados estão muito mais presentes, o que não ocorria quando Portnoy divida a produção com o guitarrista John Petrucci. A impressão geral é de que o álbum foi gravado com muita pressa e lançando muito rápido, carecendo de maior amadurecimento em algumas passagens instrumentais e na produção. Apesar disso, é um dos bons lançamentos do ano.

 

Dr. Sin – “Animal” – Uma volta aguardada e bastante esperada. Uma das melhores bandas brasileiras de hard rock e heavy metal mostra um álbum forte, com sonoridade moderna e produção de uma qualidade muito acima da média do que vemos no rock atualmente. O que mais chama a atenção, entretanto, é a espontaneidade e a descontração. É nítido que o trio está muito satisfeito com o atual momento profissional e mostra isso a cada uma das 15 músicas do álbum. Não se trata de uma obra-prima, mas é um trabalho de extremo bom gosto e com músicas mais rápidas e melódicas do que o anterior de inéditas, “Bravo”. Um dos melhores do ano no Brasil.

 

U.D.O. – “Rev-Raptor” – Nenhuma revolução, nenhuma novidade, apenas a competência de sempre. O novo álbum do ex-vocalista da lenda Accept traz o heavy tradicional veloz e característico de sua carreira solo. Decepciona um pouco por conta da falta de um grande hit, mas compensa essa “falha” com muita energia e músicas de boa qualidade.
Anthrax – “Worship Music” – A volta do vocalista Joey Belladonna quase 20 anos depois a um álbum de inéditas do Anthrax é a maior novidade do álbum. A banda se mostra revigorada depois de integrar a turnê do Big 4 ao lado do Metallica, Megadeth e Slayer. O peso está de volta, assim como o bom humor e as guitarras ríspidas e na “cara” do ouvinte. Assim como o U.D.O., o novo álbum não traz grandes novidades, mas é um legítimo trabalho top da banda. Destaque para “I’m the End”, homenagem a Dio e Dimebag Darrell (Pantera), e “Judas Priest”, que dispensa qualquer explicação.

 

Alice Cooper – “Welcome 2 the Nightmare” – Qualquer trabalho de Alice Cooper é um acontecimento. Inteligência e extrema competência dão o tom sempre. Depois de modernizar o som para deixá-lo mais pesado, mas apontado para o passado, Cooper decidiu pelo arriscado caminho de revisitar o passado. O primeiro álbum de sua carreira solo, “Welcome to the Nightmare”, de 1975, é revisitado como se estivesse sendo atualizado na narrativa do personagem Steven. O resultado é muito bom, embora com uma impressão de déjà vu. Destaque para a produção caprichada de Bob Ezrin (Kiss, Pink Floyd), o mesmo do trabalho de 36 anos atrás.

 

Michael Schenker – “By Invited Only” – O mago alemão da guitarra comemora 40 anos de carreira com mais um trabalho com versões de clássicos do rock, o terceiro neste formado deste século. Cada música tem um vocalista diferente – entre os convidados nomes importantes como Paul Di’Anno (ex-Iron Maiden), Sebastian Bach (ex-Skid Row), Jeff Pilson (ex-Dokken e Dio), Tim “Ripper” Owens (ex-Judas Priest), Leslie West (ex-Mountain), Jeff Scott Soto, entre outros. Destaques para a pesada “War Pigs”, do Black Sabbath, “Hair of the Dog”, do Nazareth, e “Run to the Hills”, do Iron Maiden.

 

Sinner – “One Bullet Left” – O baixista e vocalista alemão Mat Sinner é o músico europeu que mais trabalha na atualidade. Além de executivo de gravadoras e tour manager de algumas bandas, lidera com Ralf Scheepers o Primal Fear, grande banda alemã de power metal, e ainda encontra tempo para gravar e produzir o projeto Kiske/Sommerville e a sua própria banda, o Sinner, que foi a sua principal ocupação até o surgimento do Primal Fear. O novo trabalho do Sinner mostra o peso de sempre, mas as músicas deixam um pouco a desejar. Faltou aquela canção memorável, com refrão forte e riffs poderosos que sempre está presente nos trabalhos do grupo. Não é ruim, mas esperava-se mais.

 

Symphony X – “Iconoclast” – O novo trabalho do quinteto norte-americano já tem versão brasileira, em edição dupla. Conceitual e pesadíssimo, traz uma banda revigorada e o guitarrista Michael Romeo ensandecido em solos de muito bom gosto e com muita velocidade. Russell Allen, o vocalista, adaptou-se de forma magistral ao material mais complexo e pesado e dá uma aula de interpretação. Compre já.

Hammerfall – “Infected” – O quinteto sueco é insistente, e isso deve ser louvado. O grupo de power metal com temática medieval e lendas vikings mantém a mesma pegada rápida e vigorosa no trabalho instrumental, mas tenta se libertar da camisa de força que se autoimpôs nos temas das músicas. Algumas letras são mais genéricas, falando sobre temas atuais abusando de analogias e metáforas. É um passo adiante e necessário, mas ainda insuficiente para resgatar a criatividade dos três primeiros CDs.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: