Raimundos: sob nova direção e novos horizontes

Estadão

02 de agosto de 2011 | 11h57

Pedro Antunes

Quando mais alto se está, maior é a queda. O guitarrista Digão chegou aos 40 anos com um histórico de ter participado da maior banda de rock nacional nos anos 90, os Raimundos. E também de ter levado o maior dos tombos, em 2001, com a saída do vocalista e principal compositor, Rodolfo Abrantes.

O brasiliense Rodrigo Aguiar Madeira Campos precisou de 10 anos para recolher todos os cacos e conseguir, enfim, reerguer a sua banda de forma definitiva.

Os Raimundos nunca acabaram. Mas, desde a saída de Rodolfo, as luzes do mercado fonográfico começaram a ir para outro lado. Para marcar esse retorno, a banda lançou o CD e DVD ao vivo Roda Viva, gravado na casa de show Kazebre, em São Paulo, no fim do ano passado.

 A gravação mostra uma banda madura: Digão, na guitarra e voz; Marquinhos, também de 40 anos e também na guitarra; Canisso, o mais velho, com 45, no baixo; e o caçula, Caio Cunha, 30, na bateria. Uma formação estabilizada desde 2007, quando Fred, ex-baterista, deixou o grupo.

A saída de Fred foi culminante para o novo Raimundos. Digão passou a gerir a banda e começou aos poucos baixo, com shows pequenos. A ideia, desde o início, era maturar a formação do grupo para só então lançar um trabalho ao vivo. Foram quatro anos assim. “Quando assumi a direção, passei a acreditar mais na coisa toda.

Melhorei até a minha postura no palco. Tudo ficou melhor. Comecei a me sentir mais tranquilo e a confiar mais em tudo isso”, diz Digão, por telefone, de Brasília. “É claro que fiquei irado com todas as atitudes dele (Rodolfo)”. Falar de Raimundos, evidentemente, cai na presença e ausência do vocalista.

O clima ficou pior no início do ano, quando começou a circular na internet uma foto do quarteto original da banda: Digão, Canisso, Fred e Rodolfo. “Foi um boato. Alguém muito mal intencionado resolveu fazer isso com a gente”. Não dá para negar que isso tenha animado os fãs. “É lógico que o público vai querer ver os quatro juntos, de novo. Mas isso é uma coisa que já está bem clara”, diz o guitarrista e vocalista. “E também, para falar a verdade, não quero. Estou cuidando da minha vida. Neste momento, não. O Rodolfo está muito para o lado de lá. Quando vi aquilo (a foto da banda original), achei babaca. Eu não posso ficar esperando ninguém. Tenho de cuidar da minha vida”.

Clássicos presentes

O último trabalho de inéditas dos Raimundos foi o EP, Pt qQ cOizAh (leia Ponto Qualquer Coisa), lançado apenas digitalmente, em 2005. Digão nem o considera dentro da discografia da banda, formada por sete discos de estúdio, e outro ao vivo, em parceria com a MTV, lançado nos anos 2000. Nas suas contas, então, o último disco dos Raimundos foi Kavookavala, de 2004, lançado pela Warner.

Para reunir as músicas para o Roda Viva, a banda fez questão de escolher as faixas que tinham as mãos de Digão e Canisso. Apenas I Saw You Saying é de Rodolfo com Gabriel Thomaz. Os clássicos, tão escrachados quanto pesados, estão todos lá. Mulher de Fases, Me Lambe, A Mais Pedida, Eu Quero Ver o Oco, claro, estão entre elas.

Há, ainda, a peso pesado Jaws, inédita, e que mostra que a pegada da banda está totalmente hardcore, com guitarras cavalgadas e distorcidas, baixo frenético e bateria explosiva. Nada radiofônica.

“Graças a Deus, estamos fora desse mainstream. Não vou mais mudar música para tocar na rádio”, dispara Digão. O Raimundos de hoje, garante ele, quer é tocar, tocar e tocar. Nada mais.

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