Rachel Barton Pine, a violinista heavy metal da música erudita

Estadão

27 de novembro de 2010 | 08h10

Maiara Camargo

Aos 3 anos, a americana Rachel Barton Pine viu garotas mais velhas tocando violino na igreja e se apaixonou pelo instrumento. No começo, seus pais não levaram seu encantamento muito a sério, mas o talento da jovem falou mais alto. Hoje, aos 36 anos, a violonista, que se apresenta no Rio de Janeiro, antes de vir para São Paulo,onde tocará neste domngo, com a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB).

Em seu trabalho, Rachel tenta quebrar barreiras. Grande fã de heavy metal, ela luta contra o preconceito em relação à música clássica, fazendo incursões também pelo mundo do rock. Rachel estreou aos 10 anos com a Sinfônica de Chicago, uma das maiores dos EUA. Aos 17, se tornou a primeira musicista norte-americana a ganhar o concurso internacional para violino JS Bach, na Alemanha.

A afeição pelos acordes enfáticos do heavy metal também surgiu nessa época. “Dos 17 aos 19 anos, eu tocava mais de 8 horas por dia, além de ensaios e apresentações”, ela diz. “No fim do dia, queria escutar música, mas sem ficar analisando estruturas. De todos os sons das rádios, o heavy metal foi o que mais me atraiu”.

Led Zeppelin no violino

Assim, paralelamente ao trabalho com grandes orquestras, a violinista tem procurado formas de mostrar a quem ouve rock que música clássica não é tão diferente.

“As pessoas têm essa ideia de que concertos são apresentações frias, em que não se pode nem aplaudir. Eu falo: ‘Coloque seu jeans e vá ver uma orquestra’”, diz ela, que procurou rádios de rock para tocar obras de suas bandas preferidas. “Eu levava meu violino e começa a tocar Led Zeppelin, Metallica”, revela a fã de AC/DC, Black Sabbath e Motörhead. Há 2 anos, o interesse pelo metal fez com que Rachel se juntasse a um grupo do gênero, a Earthen Grave. “Na banda, toco um violino diferente, um Viper de seis cordas. Funciona muito bem”.

A violinista Rachel Barton Pine (FOTO: ANDREW ECCLE/DIVULGACAO)

No Brasil, ela usará um violino Guarnieri Del Gesu, fabricado em 1742. O estojo que carrega o instrumento não tem muito a ver com o universo clássico: ele é todo decorado com adesivos de bandas de rock. Solista convidada, ela se apresenta ao lado da OSB, comandada pelo regente Roberto Minczuk.

Será o segundo encontro de Minczuk com Rachel. Em 2003, quando ele estava à frente da Sinfônica da Nova Zelândia, ela participou de uma série de apresentações com o grupo. “Agora, conto com Minczuk para me levar para passear no Brasil”, brinca.

 Na Sala São Paulo, Rachel executará o Concerto para Violino Op. 14, do americano Samuel Barber. “As músicas de Barber têm uma melodia incrível”, diz a violinista. Antes de concluir a conversa, ela cita dois nomes que admira na música brasileira: Sepultura e Villa-Lobos. Bem ao estilo dela.

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