'Queremos acabar em alto nível', diz Scorpions sobre despedida no Brasil

Estadão

18 de setembro de 2012 | 17h10

do site Sarkosi Web Radio Rock

Desde que o Scorpions tocou pela primeira vez no Rock In Rio em 1985, o Brasil já teve a oportunidade de rever o grupo em diversas ocasiões ao longo dos anos. A mais recente foi em 2010, dentro da turnê de despedida dos palcos por parte dos alemães. Não foi bem assim.

Agora, a coisa parece ser realmente definitiva. As apresentações nos dias 20 e 21 de setembro em São Paulo talvez sejam as últimas oportunidades para os fãs brasileiros ouvirem ao vivo sucessos como “Rock you like a hurricane” e “Wind of change”. Pelo menos é o que garante o guitarrista e membro fundador Rudolf Schenker.

Segundo ele, entretanto, a banda não vai se separar. Não fazer turnês internacionais, tocando em dezenas de países ao redor do mundo, tem a ver um pouco com a idade dos integrantes, “exaustos” com a maratona de viagens.

A ideia é não manchar o legado do grupo, na estrada desde a década de 70. “É fácil você pegar um vírus viajando de avião por conta das condições climáticas. Antes de desaparecer e ficar cada vez pior, queremos terminar de excursionar em alto nível”, diz Schenker.

Em entrevista exclusiva por telefone, o guitarrista fala sobre a turnê de despedida do Scorpions, os planos para o grupo e lembra dos fãs brasileiros e das passagens da banda de hard rock pelo país.

 

Os alemães do Scorpions

Essa será mesmo a última turnê dos Scorpions ou mudaram de ideia?

Rudolf Schenker Não, ainda vale o que dissemos quando anunciamos essa turnê, que seria a de despedida. Fazer turnê é uma coisa cansativa, especialmente para o Scorpions, que toca no mundo inteiro. A maioria das bandas hoje, principalmente as americanas, toca basicamente nos Estados Unidos, talvez um pouquinho na América do Sul e na Europa, mas não na Ásia. Nós tocamos em todos os lugares. Isso requer muita energia, principalmente para o Klaus [Meine], que canta em um tom bem agudo. É fácil você pegar um vírus viajando de avião por conta das condições climáticas. Então pensamos: antes de desaparecer e ficar cada vez pior, queremos acabar de excursionar em alto nível. Isso não significa que a gente não vai mais tocar aqui e ali de vez em quando. Mas essa é a turnê na qual queremos nos despedir, fazer uma grande festa com nossos fãs ao redor do mundo. Sempre subimos no palco nos doando 150%.

Não planejam acabar a banda?

Schenker – Não estamos nos separando. Temos muito para dar aos fãs, como um monte de faixas que gravamos nos anos 70 e 80 e, por causa do vinil, que não comportava muitas músicas, não pudemos mostrá-las para os fãs. Agora, voltamos nossa atenção para nosso próprio material, as coisas antigas, sobras… vamos remixar tudo e lançar essas músicas. Além disso, temos 80 ou 90 horas gravadas de vídeo em nosso arquivo, queremos juntar tudo e lançar também.

 Essa turnê começou em 2010. Quais os segredos para evitar o cansaço ou até conflitos entre os membros da banda?

Schenker – Quando ouvimos que muitos dos shows estavam esgotados, já ficamos empolgados. Então é muito bom quando tocamos e vemos os fãs loucos, que gostam da banda desde sempre, e depois entramos no Facebook e vemos ainda que muitos fãs têm entre 28 e 40 anos. Isso quer dizer que conseguimos conquistar um público mais jovem, são aquelas pessoas que ficam na frente do palco. Claro que os fãs mais velhos ainda estão lá no fundo. Tive a chance de conhecer o Brasil em 1985 e vi como tudo mudou – como a economia, que agora é a sexta no mundo. No ano que vem será o ano do Brasil e da Alemanha, o que é fantástico, porque os brasileiros e alemães estão fazendo muitos negócios juntos. O promoter daí teve que nos convencer a voltar, porque dissemos “nós acabamos de tocar no Brasil”, mas ele falou que “muita gente ainda não viu vocês e não acredita que será a turnê de despedida”. Recebemos mais convites ainda pela internet, então acabamos topando.

Vocês estão na estrada desde os anos 70 e ainda lotam as casas. Acredita que isso acontece pela força das canções ou pelo show?

Schenker – São as duas coisas. Acho que não há dúvidas a respeito da força das canções, deu pra ver isso quando tocamos no Rock in Rio. Tem também a química ótima da banda. Nos anos 80 tínhamos uma química e tanto, e agora temos mais ainda, com o James, que é um cara festivo, um animal na bateria; temos o Pawel, um baixista excelente; Mathias, um grande guitarrista solo e Klaus, um ótimo vocalista. Tudo está perfeito.

Hoje dá para aproveitar o lado divertido da carreira, sem pressão?

Schenker – Sim. Era isso que a gente queria quando pensou na turnê de despedida. Disse para os caras: “vamos parar de colocar pressão em nós mesmos. Vamos aproveitar o momento, agir naturalmente, subir no palco e nos divertir”. É exatamente isso o que estamos fazendo agora.

Scorpions em São Paulo

Quando: 20/9, às 21h30 e 21/9, às 22h
Onde: Credicard Hall
Quanto: entre R$ 120 e R$ 600
Ingressos: pelo site www.ticketsforfun.com.br

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