Queensryche e Savatage: passado glorioso, futuro desanimador

Estadão

17 de novembro de 2010 | 08h21

Marcelo Moreira

Duas bandas pioneiras de um gênero, o metal progressivo, em uma encruzilhada, caminhando para o ocaso e para um fim melancólico. Queensryche e Savatage foram bandas gigantes nos ano 80 e 90, estão à beira de completar 30 anos de carreira, mas sem a menor perspectiva profissional.

O Queensryche ainda continua tentando, e com dignidade – mas o público parece não acreditar mais nas aventuras megalomaníacas criadas pelo vocalista Geoff Tate. A banda de Seattle ainda sente demais a falta do guitarrista Chris DeGarmo, membro-fundador que saiu em 1998, voltou apenas para gravar o álbum “Tribe”, em 2003, para sair definitivamente no mesmo ano.

Os últimos quatro anos foram bastante movimentados para o quinteto. “Operation Mindcrime II”, continuação lançada em 2006 do megassucesso de 1988, acabou decepcionando em termos de vendas, mas rendeu uma turnê lucrativa e úm CD duplo ao vivo, “Mindcrime at the Moore”.

Tentando reverter o panorama, tentaram as armas de sempre: uma coletânea dupla com material raro (“Sign of the Times – The Best”) e um CD de versões bem inusitadas para clássicos do rock e da música pop, “Take Covers”, ambos de 2007, antes de partir para uma nova aventura conceitual, “American Soldier”, de 2009, tendo a Segunda Guerra do Golfo e a ocupação do Iraque como tema central.

O mercado não respondeu de forma esperada, o que foi injusto, já que “Amercian Soldier” é um bom trabalho, mesmo massacrado pela crítica norte-americana. A pergunta agora é a de sempre: para onde ir, em tempos de downloads gratuitos e ilegais?

Enquanto a resposta não vem, resta vasculhar o baú de antiguidades e resgatar alguma novidade ou pérola.
“Empire”, o trabalho de maior impacto e sucesso do grupo, de 1990, chega às lojas em nova edição de luxo.

A nova versão, comemotativa dos 20 anos do lançamentoda obra, conta com dois CDs, sendo que o CD 1 é o álbum “Empire” todo remasterizado e com três faixas bônus enquanto que o CD 2 conta com gravações ao vivo da banda anteriormente não lançadas. Bom, muito bom, mas insuficiente para fãs mais exigentes e para uma grande banda considerada uma das mais criativas de sua época.

Já a situação do Savatage é muito mais complicada. Oficialmente a banda não terminou, mas seu líder, o vocalista e tecladista Jon Oliva, considera-a morta desde 2002, quando acabou a turnê do CD “Poets and Madmen”, do ano anterior.

“O Savatage me deve US$ 1 milhão, nunca deu lucro, mesmo com o lançamento de nossos maiores sucessos em CD. Não vejo o porquê de ressuscitar a banda, minha prioridade é o Trans-Siberian Orchestra”, afirmou Oliva à revista Rock Brigade em 2005. “O Trans-Siberian Orchestra está tão ocupado que nos toma um ano inteiro. Se fôssemos fazer algo com o Savatage teríamos que dar um tempo longo de parada com o TSO, pois as duas bandas não podem co-existir ao mesmo tempo. Isso deveria ser óbvio, visto que não há um álbum novo do Savatage desde 2001. É porque o TSO toma o tempo de todo mundo!”

Infinitamente mais lucrativo e mais trabalhado, o projeto Trans-Siberian Orchestra, criação de Jon Oliva e do produtor, músico e empresário Paul O’Neill, já tem cinco trabalhos concetuais lançados e suas apresentações são estruturadas em forma de ópera, com atos e apoio de atores e orquestra.

A ideia deu tão certo que todos os músicos e ex-músicos do Savatage participam do Trans-Siberian Orchestra, que teve de ser “dobrado”. Existe uma banda na Costa Oeste dos Estados Unidos, e outra na na Costa Leste.

“Uma banda só não dá conta da demanda que temos. Por isso, montamos duas companhias para atender o público norte-americano e canadense”, afirmou Jon Oliva em recente entrevista à revista Roadie Crew. O sucesso é tanto que o último álbum do Trans-Siberian Orchestra, “Night Castle”, ficou n o Top 50 das paradas nor-americanas deste ano.

Enquanto produz e compõe para sua “orquestra”, Jon Oliva trata de arrumar tempo para um projeto paralelo, o Jon Oliva’s Pain, que tenta retomar o trabalho do Savatage, mas mais pesado e menos progressivo. Essa banda não faz shows ao vivo. O mais recente trabalho é “Festival”, do ano passado, o quarto do grupo.

Sobre o Savatage, Oliva continua lacônico. Ele autorizou a edição neste segundo semestre do CD duplo “Still the Orchestra Plays the Greatest Hits – Vol. 1 and 2”, que nada mais é do que uma compilação de gravações ao vivo feitas pela banda entre 1989 e 1994.

O álbum é uma excelente amostra do poder e da qualidade da música do Savatage, mas ainda assim é muito pouco para uma grande banda que ajudou a definir um estilo (ou subgênero) em uma época em que o Dream Theater, considerada a grande banda de prog metal, nem sonhava em gravar o seu primeiro álbum.

Vale para não deixar o nome Savatage morrer, mas apenas por isso. Infelizmente, parece que Jon Oliva vai deixar a banda congelada por muito mais tempo

Queensryche – “Empire” – Super Deluxe Edition

Disco 1

01. Best I Can
02. The Thin Line
03. Jet City Woman
04. Della Brown
05. Another Rainy Night (Without You)
06. Empire
07. Resistance
08. Silent Lucidity
09. Hand On Heart
10. One And Only
11. Anybody Listening?

Faixas bônus

12. Last Time In Paris
13. Scarborough Fair
14. Dirty Lil Secret

Disc 2 (ao vivo no Hammersmith Odeon, Londres, em 15 de novembro de 1990):

01. Resistance
02. Walk In The Shadows
03. Best I Can
04. The Thin Line
05. Jet City Woman
06. Empire
07. Roads To Madness
08. Take Hold Of The Flame
09. Silent Lucidity
10. Hand On Heart

Savatage – “Still the Orchestra Plays the Greatest Hits – Vol. 1 & 2”

CD1: Greatest Hits Vol.1:

01. Power Of The Night
02. Hall Of The Mountain King
03. 24 Hours Ago
04. Legions
05. Gutter Ballet
06. Summers Rain
07. When The Crowds Are Gone
08. Ghost In The Ruins
09. If I Go Away
10. NYC Don’t Mean Nothing
11. Edge Of Thorns
12. All That I Bleed

CD2: Greatest Hits Vol.2:

01. Handful Of Rain
02. Chance
03. One Child
04. I Am
05. Anymore
06. Hourglass
07. The Wake Of Magellan
08. Morphine Child

Bonus tracks (regravados por Jon Oliva en 2009):

09. Anymore
10. Not What You See
11. Out On The Streets

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