Quando o blues encontra o Pink Floyd

Estadão

13 de outubro de 2010 | 08h17

Marcelo Moreira

Desde os anos 90 tem sido bastante comum músicos de algum renome revisitarem clássicos do rock e dar novas “roupagens”, como tocar “Satisfaction”, dos Rolling Stones, em ritmo blues, por exemplo. Entretanto, ninguém levou tão adiante e de forma radical essa experiência quanto o Blue Floyd- até porque era formado por músicos de muito renome.

O projeto durou pouco e reuniu a nata do blues e do southern rock norte-americano dos anos 2000. Com vários músicos “itinerantes”, reuniu ex-membros do Allman brothers , Gov’t Mule e Black Crowes fazendo interpretações blues de músicas do Pink Floyd.

O que poderia soar estapafúrdio ficou ótimo. Era só mais uma brincadeira em um teatro de Atlanta, na Geórgia, quando instrumentistas se reuniram para uma jam ao final de um show do Gov’t Mule em 1999. No show seguinte, na Carolina do Norte, o que era uma jam ao final do show se tornou uma apresentação de abertura do mesmo Gov’t Mule.

A brincadeira ficou mais séria depois de várias jams naquele segundo semestre de 1999 e os empresários do Gov’t Mule decidiram organizar uma pequena turnê pelo oeste e sul dos Estados Unidos no ano seguinte. O sucesso foi tanto que a turnê foi estendida e acabou terminando em Chicago – começou 14 de janeiro, em Anaheim, na Califórnia .

Os membros mais assíduos eram Marc Ford (então no Black Crowes) e Allen Woody (baixista do Gov’t Mule, que morreria em agosto daquele ano) nas guitarras, Berry Oakley Jr. (Oakley Krieger Band) no baixo e vocais, Johnny Neel sobre teclas de harpa e voz, e Matt Abts na bateria (fundador e atual baterista do Gov’t Mule).

O único registro em CD é “Begins”, lançado pelo selo do Gov’t Mule, com 10 músicas do Pink Floyd e duas jams com temas dos Beatles. É possível comprar CDs digitais com as apresentações da turnê no site do Gov’t Mule – www.mule.net. O melhor show gravado é o de Chicago. “Shine On You Crazy Diamond” foi executada apenas de forma instrumental com Neel em uma harpa solo bluesy. “Have a Cigar” teve Oakley nos vocais e Neel em um solo de teclado.

Em “Fearless” quem cantou foi Ford. “Money” teve um groove de blues e “Us and Them” simulou um saxofone no solo.

O show terminou com “Echoes” em uma levada ao estilo Allman Brothers. Em algumas datas da turnê houve brincadeiras com as músicas “Careful With the Axe, Eugene”, “Biding My Time”, “Pigs on the Wing” e “Another Brick in the Wall” – em Anaheim, a música se estendeu por vários minutos, com muitos solos de guitarra.

Após a turnê, houve apenas apresentações esporádicas em algum evento patrocinado pelo Gov’t Mule, como festivais realizados em 2005, por exemplo.  

O próprio Gov’t Mule fez uma espécie de “homenagem” ao Blue Floyd (e ao próprio Pink Floyd, é lógico) em duas oportunidades. No dia do Halloween, 31 de outubro de 2008, executou em Boston 14 músicas, entre elas “Fearless”, “Comfortably Numb”, “Pigs on the Wing”, “Have a Cigar”, “Shine on You Crazy Diamond” e “Money”.

Exatamente um ano depois, no Hallween de 2009, repetiu quase o mesmo repertório em uma das partes de um show na Filadélfia. Durante uma entrevista a um site de Houston, Warren Haynes, o guitarrista do Gov’t Mule, deu pistas de que deverá mais uma vez tocar Pink Floyd com alma bluesy nos dias 30 e 31 de outubro, quando a banda tocará em Oakland, na Califórnia.

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