Qualidade e bom gosto do Uriah Heep e Nazareth, em versões nacionais

Estadão

06 de dezembro de 2011 | 17h00

Marcelo Moreira

Todo dinossauro ressuscitado precisa ser visto com muita cautela e desconfiança. Tirando os caça-níqueis de sempre, muitas voltas de grandes bandas do passado são recheadas de boas intenções, com resultados pífios e sem nenhuma inspiração.

As bandas britânicas Uriah Heep e Nazareth são dinossauros que sempre se recusaram a morrer. Estão na ativa há 42 anos ininterruptamente. Por mais tempo que ficassem sem lançar novos trabalhos, mantinham shows concorridos em todos os continentes, mesmo que em casas menores, longe das grandes arenas.

Pois as duas bandas mantiveram a dignidade em seus novos álbuns, lançados em abril e que agora, finalmente, chegam ao mercado em edições nacionais por meio da Hellion Records, loja/selo/gravadora pualistana. Assim como o Whitesnake, também com disco novo elogiado na praça, trataram de não inventar. Fizeram o que sabem e o que sempre agradou – e não há nada de indigno nisso.

“Into the Wild”, do Uriah Heep, é o sucessor de “Wake the Sleeper”, de 2008 – “Celebration”, de 2009, traz duas músicas inéditas e 12 faixas antigas regravadas como comemoração dos 40 anos de existência da banda.

O que mais chama a atenção no novo álbum é o bom gosto da timbragem de guitarra de Mick Box. As músicas são boas, mas nada de excepcional, mas o som inconfundível do guitarrista novamente dá o tom do CD, assim como no anterior.

Os teclados de Phil Lanzon estão mais discretos, mas interagem de forma brilhante com a guitarra. Russell Gilbrook, que substituiu o excelente Lee Kerslake na bateria em 2007, está mais contido, embora demonstre muito virtuosismo nas faixas mais rápidas.

A trinca de abertura – “Nail in the Head”, “I Can See You” e “Into the Wild” – é o resumo do álbum: forte, pesado e moderno e despretensioso. Aliás, a falta de pretensão é uma das responsáveis pelo bom resultado obtido. É a senha para que a banda permaneça na estrada por pelo menos mais dez anos.

Os escoceses do Nazareth decidiram ser mais ousados em “Big Dogz”, seu novo trabalho, mas também fugiram de qualquer pretensão. Com uma produção diferente do que estamos acostumados a ouvir nos CDs da banda – mais limpa e clara –, o quarteto retorna ao básico do período 1971-1973, quando ainda buscava a afirmação: aposta mais no blues e menos no hard rock.

As guitarras ainda estão pesadas, pois Jimmy Murrison é um legítimo discípulo de instrumentistas como Jimmy Page (ex-Led Zeppelin), Mick Box, Mick Ralphs (ex-Mott the Hoople e atual Bad Company), Manny Charlton (ex-Nazareth) e Martin Barre (Jethro Tull). Mas o timbre está mais definido, especialmente nas faixas mais bluesy.

Dan McCafferty, o vocalista da voz cortante e rasgada, exagera menos e dá um colorido diferente às suas interpretações. Incorporou o blues e consegue mostrar que não deve nada aos grandes vocais de sua geração. “Big Dogz”, “No Mean Monster” e “Claimed” são os grandes destaques do álbum.

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