'Quadrophenia', do Who, pode ganhar edição de luxo

Estadão

28 Junho 2011 | 16h09

Marcelo Moreira

“Tommy” é a obra mais conhecida do Who, e “Who’s Next” é considerado de forma quase unânime como o melhor álbum da banda. Mas o líder e principal compositor, o guitarrista Pete Townshend, não tem dúvidas em apontar “Quadrophenia” como a sua principal obra com a banda, ganhando inclusive a companhia de importantes críticos ingleses de rock.

Lançada oficialmente em 1973 como uma tentativa de se fazer uma biografia musical do surgimento do movimento mod na Inglaterra, em 1965, causou estranheza no público à época por conta de suas intrincadas e complexas passagens musicais, além de vários efeitos sonoros até então inovadores.

Na verdade, o público ficou chocado com as altas doses de ambição e pretensão de Townshend. Depois do sucesso estrondoso da ópera-rock “Tommy”, de 1969, e do maravilhoso “Who’s Next”, de 1971, com sua coleção de clássicos, todos esperavam mais uma obra-prima de Townshend, especialmente depois que ele anunciou que estava compondo nova ópera-rock. O projeto se mostrou ambicioso demais.

O resultado comercial e de crítica ficou aquém do esperado já que, assim como “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, “Quadrophenia” era irreproduzível ao vivo.

Capa original de 'Quadrophenia'

O Who bem que tentou, mas a turnê de 1973 pelos Estados Unidos não deu certo. As fitas pré-gravadas para tentar recirar o clima fazia os músicos atravessarem a toda hora, irritando a todos. As próprias músicas do então LP duplo não não funcionavam a vivo.

A satisfação artística virou frustração comercial acirrou os ânimos entre os quatro integrantes – “Quadrophenia” é o único trabalho do Who a conter somente composições de Townshend.

O trauma foi grande e ainda hoje poucas músicas desta obra são incluídas no repertório ao vivo, mesmo a banda tendo executado-a quase na íntera na turnê mundial de 1996-1997.

Na impossibilidade de tocar com o Who neste ano por razões médicas, Townshend passa seus dias aruais enfurnado em sua mansão, em Londres, remexendo seus arquivos e, ao que parece, descobriu um bom material jogado às traças da época de gravação de “Quadrophenia”.

Capa da nova versão em DVD paras o filme de 1979, editada e lançada em 2009

O resultado é que em breve poderemos ter uma edição de luxo – ou até mesmo um pacote – com material inédito em áudio e fotográfico relativo a “Quadrophenia”. Pelo menos é o que se deduz de uma mensagem colocada recentemente no site oficial do Who.

“Estou trancado em meu estúdio caseiro no momento trabalhando para restaurar as demos de Quadrophenia. Bob Pridden está a cargo das mixagens em som surround de faixas selecionadas. Jon Astley está remasterizando a mixagem original do vinil, examinando em paralelo sua própria remixagem de 1996 (aquela onde se pode ouvir apropriadamente os fantásticos vocais de Roger). Estou sentado em uma pilha de notas, diários, fotografias (tirei várias entre 1971 e 1973, quando Quadrophenia emergiu), letras originais e escrevendo o encarte.” (tradução retirada do site www.thewho.com.br).

 Bob Pridden é um produtor e engenheiro de som conceituado na Ingaterra e Jon Astley é ex-cunhado de Townshend e também renomado produtor inglês, embora seus principais trabalhos tenham sido com o Who e com o o ex-cunhado – acompanhou-o inclusive nos teclados em shows semi-acústicos pelos Estados Estados Unidos entre 1995 e 1998.

Algumas especulações na imprensa inglesa dão conta de que o pacote será lançado até dezembro, incuindo três ou quatro CDs contando com o material original remixado e remasterizado, além de raridades, material inédito e gravaçoes demo. Estaria incluso ainda um libreto de 64 ou 96 páginas com comentários e anotações de Townshend.

“Quadrophenia”  já virou filme produzido pelo próprio Who em 1979, tendo Sting, então baixista do Police, como um dos personagens principais. Também ganhou montagens teatrais na Inglaterra e nos Estados Unidos.

O álbum composto por Townshend é uma ópera-rock que retrata o início e o auge do período mod na Inglaterra e tem como personagem central Jimmy, um jovem desempregado e desajustado.

 “Quadrophenia” é um termo adaptado a partir de uma noção não-científica da esquizofrenia, aqui como uma doença de personalidade múltipla;o protagonista da ópera sofre de personalidade quádrupla, cada uma delas associadas a um integrante do The Who. 

Os quatro integrantes têm cada um uma música-tema que retratam o personagem Jimmy: “Helpless Dancer” (Roger Daltry), “Doctor Jimmy” (John Entwistle), “Bell Boy” (Keith Moon) e “Love Reign O’er Me” (Pete Townshend). Os quatro temas misturam-se na penúltima faixa do disco, uma elaborada peça instrumental chamada “The Rock”.

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