Punks x skinheads: polícia diz que agressores são neonazistas

Estadão

06 de setembro de 2011 | 12h00

Gio Mendes

Pelo menos três gangues de skinheads foram identificadas ontem pela Polícia Civil como suspeitos de envolvimento no confronto que terminou com um jovem morto e outro gravemente ferido em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, na noite de sábado.

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) investiga a participação dos grupos Front 88, Terror Hooligan e Resistência Nacionalista na morte do punk Johni Raoni Falcão Galanciak, de 25 anos, que foi esfaqueado e agredido em frente à casa noturna Carioca Club, na Rua Cardeal Arcoverde, onde aconteceu o show da banda britânica Cock Sparrer, que atrai tanto punks quanto skinheads.

Fábio dos Santos Medeiros, de 21 anos, continuava internado na UTI do Hospital das Clínicas (HC) na noite de ontem. Ele sofreu traumatismo craniano e respirava com a ajuda de aparelhos. Segundo a delegada Margarette Barreto, do Decradi, Medeiros é skinhead e integra o grupo Resistência Nacionalista. “Ele faz parte de um grupo de intolerância, que defende ideais nazistas.” A Decradi ainda investiga a motivação da briga.

Anarquismo

Segundo um investigador do Decradi, Galanciak defendia o anarquismo e não faria parte de gangues, apesar de já ter sido identificado como membro da Vício Punk. Em 2006, Galanciak foi detido por jogar ovos no então governador José Serra e no prefeito Gilberto Kassab. Um ano depois, foi acusado de espancar, com mais oito pessoas, o skinhead Gulherme Witiuk Ferreira de Carvalho, líder da Impacto Hooligan.

O delegado Jorge Carlos Carrasco, diretor do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou ontem que integrantes das gangues Front 88 e Terror Hooligan foram vistos na frente da casa noturna. “Já temos alguns suspeitos identificados, mas não posso divulgar quem são ou quantos são para não atrapalhar as investigações.”

No Twitter, algumas mensagens indicavam que haveria brigas entre os grupos, sem fornecer hora ou local. A Polícia Militar reforçou o patrulhamento da região após receber um ofício no dia 29 de agosto do organizador do show do Cock Sparrer no Brasil, Ricardo Garcia Peres Júnior. “Vi que algumas pessoas estavam combinando pela internet um confronto entre gangues na região e resolvi avisar a PM”, afirmou.

O capitão Cleodato Moisés do Nascimento, porta-voz do Comando de Policiamento da Capital, informou que seis motos e três viaturas da PM foram deslocadas para patrulhar a região a partir das 15h30 de sábado, duas horas e meia antes da abertura da casa noturna. Segundo ele, cerca de 70 pessoas participaram do confronto, às 19h15. “Os PMs de moto pediram reforço. O resultado da briga seria maior caso o reforço não tivesse chegado rápido.”

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