Punks x skinheads: ‘Agridem para mostrar poder', diz sociólogo

Estadão

06 de setembro de 2011 | 09h00

Aline Nunes

Na visão de especialistas, agir de forma agressiva, andar em bando e munido de armas como soco inglês, taco de beisebol, facas e tchacos (arma com dois bastões unidos por uma corrente) é um comportamento comum de ambos os grupos, skinheads e punks.

Para o sociólogo Álvaro Gullo, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo, a linha que separa as tribos modernas é tênue. Todos esses grupos buscam um tipo de música, ideologia e uma bandeira para lutar. “O grupo escolhe um ideal. Daí eles se aglutinam e, para se autoafirmar, precisam agredir os outros. A agressão é uma mostra de poder”, diz o estudioso. “Em grupo, o indivíduo passa a ter a personalidade do grupo, e não a dele.”

No caso registrado na Rua Cardeal Arcoverde, o confronto teria reunido white powers e punks. O primeiro grupo tem como inimigos punks, comunistas, anarquistas negros, mestiços, judeus, homossexuais e nordestinos.

As principais gangues paulistas são Front 88, Brigada da Hooligan e Impacto Hooligan. Já o segundo grupo, os punks, enxerga como oponentes os white powers, homossexuais e o grupo Carecas do Subúrbio (que não discriminam negros nem nordestinos). Entre as gangues paulistas dessa tribo estão a Devastação Punk, Caos Punk, Funeral Punk e Vício Punk. Johni Galanciak, de 25 anos, fazia parte dessa última.

Visualmente, os grupos também se assemelham. Boa parte anda com correntes, camisetas de bandas e coturnos. Para o mestre em antropologia da USP João Baptista Borges Pereira, a ideologia das tribos é transmitida por símbolos. “Eles constroem uma identidade e a refletem nos cabelos, roupas e tatuagens…”

Tudo o que sabemos sobre:

Carioca ClubCock Sparrer

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: