Projeto Phenomena recria o cenário hard trash dos anos 80

Estadão

26 de dezembro de 2010 | 16h15

Marcelo Moreira

A parte trash dos anos 80 envolveu, na parte musical, entre outras excrescências, a popularização de músicas aleatórias que ganhavam muito mais projeção do que mereciam ao aparecerm em propagandas de cigarro nos Estados Unidos e no Brasil. Quem não se lembra das ótimas passagens de esportes radicais associadas aos fumo do cigarro Hollywood, da Souza Cruz?

Vários grupos ganharam um fôlego extraordinário no Brasil ao terem suas músicas como trilha do Hollywood – Survivor, Journey, Whitesnake e alguns outros. Entretannto, poucos se lembram do Phenomena, que ficou mundialmente conhecido com “Did It All For Love, hit cantado pelo baixista John Wetton (Asia, ex-Uriah Heep e King Crimson).

Um dos maiores sucessos das propagandas do Hollywood, o Phenomena era um projeto comandado pelos irmãos ingleses Tom e Mel Galley (este guitarrista do Trapeze, grupo que revelou Glenn Hughes, e também do Whitesnake).

A ideia era simples: aproveitar a explosão do hard rock e do hard pop em meados dos anos 80, usar o que de mais moderno e excessivo nas produções e chamar medalhões do rock para atrair mais público classic rock, o que daria maior “credibilidade”.

Deu certo em 1985 e e rendeu três álbuns até 1990, embora a qualidade seja bastante questionável. Quatro anos depois, o guitarrista Tom Galley ressuscita o projeto com o álbum “Blind Faith”, já sem o irmão, morto em 2008 de câncer no fígado.

O álbum chega em outubro às lojas e traz a fórmula que consagrou o projeto e rendeu milhões de cópias vendidas há 25 anos: música comercial bem feita, bem arranjada, e com convidados de peso. O resultado é irregular, mas é melhor do que “Psychofantasy”, de 2006.

Para o novo CD os músicos fixos são Martin Kronlund (guitarras e baixo), Jim Kirkpatrick (guitarras), Imre Daun (bateria), Dan Helgesen (teclados) e Henrik Thomsen (baixo). Entre os convidados aparecem Tony Martin (ex-Black Sabbath), Mike DiMeo (ex-Riot e Masterplan), Steve Overland (ex-FM), Ralf Scheepers (Primal Fear, ex-Gamma Ray) e Mat Sinner (Primal Fear e Sinner).

Escute “The Sky is Falling”, com os vocais de DiMeo, provavelmente a faixa mais pesada, com a participação do guitarrista virtuoso Stefal Lindstrom, e “Liar”, mais hard rock, com o mesmo Lindstrom e Tony Martin cantando.

Capa do CD "Phenomena I"

Nada, evidentemente, que se compare ao bom “Phenomena”, o primeiro do projeto, lançado em 1985 com a presença de cantores notáveis, como Glenn Hughes (ex-Deep Purple e Black Sabbath), e instrumentistas do naipe de Cozy Powell (bateria, ex-Rainbow, Jeff Beck Group e Emerson Lake and Powell), Neil Murray (baixo, ex-Black Sabbath e Whitesnake) e Don Airey (teclados, atual Deep Purple).

“Phenomena II”, de 1987, outro mega-sucesso, trazia novamente Glenn Hughes, Ray Gillen (ex-Black Sabbath e Badlands), John Wetton baixo, Scott Gorham (guitarra, ex-Thin Lizzy) e Max Bacon (ex-GTR). “Phenomena III – Inner Visions”, teve a participação de ninguém menos do que Brian May, guitarrista do Queen.

Para quem gosta de hard rocm mais puxado para o pop, e bem feito, é um bom álbum. Para os mais radicais, que gostam de coisas mais pesadas, vale pelas duas faixas já citadas.

Capa do CD "Phenomena II"

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