Progressivo brasileiro tem nome: Banda do Sol

Estadão

14 de dezembro de 2010 | 08h30

 Marcelo Moreira

O produtor e músico norte-americano Billy Sherwood tinha razão: a Banda do Sol, expoente veterana do rock progressivo brasileiro, é excepecional. E o resultado pode ser observado em “Tempo”, o mais recente álbum do grupo, coproduzido por Sherwood, ex-guitarrista, tecladista e produtor dos magos do Yes.

O quinteto formado por Moacir Júnior (voz, guitarra e violões), Fram Simi (guitarras e vocais), César Rodrigues (baixo), Allex Bessa (piano e sintetizadores) e Fábio Luiz (bateria e percussão) fizeram o que se esperava deles: execução perfeita, arranjos bem feitos e composições de qualidade, elogiadas por revistas estrangeiras.

 

É difícil apontar um ponto negativo em um trabalho excelente, mas, neste caso, o maior defeito está evidente: as músicas são cantadas em português. Esse fator limitador abreviou, por exemplo, a carreira dos mineiros do Sagrado Coração da Terra, talvez a melhor formação progressiva já surgida no Brasil.

A banda do gênio Marcus Vianna, renomado publicitário mineiro, é tão respeitada e cultuada no mundo quando a banda húngara Solaris, uma das mis importantes da Europa em todos os tempos. Como as letras de suas músicas são  em húngaro, é mais lembrada pelo exotismo do que realmente por seus gigantes méritos artísticos. O mesmo acometeu o Sagrado, que até tentou lançar um álbum com versões de suas músicas em inglês, sem sucesso.

É evidente que os méritos artísticos da Banda do Sol também são grandes, mas o fato de não cantar em inglês certamente restringe a abrangência do trabalho do grupo.

Formada em 1980 no interior de São Paulo, na região de Sorocaba, a Banda do Sol teve boa repercussão até 1985, participando de vários festivais de música popular no Estado de São Paulo.

A falta de apoio e projetos pessoais fora da música acabaram por encerrar a banda algumas vezes, até que Moacir Júnior reagrupou os companheiros mais uma vez a partir de 2000. Foram vários os projetos especiais e as apresentações pelo Brasil, sendo a mais cultuada a que foi realizada neste ano, em Sorocaba, com acompanhamento de orquestra e participação de Billy Sherwood.

O álbum “Tempo”  foi gravado durante diferentes sessões nos estúdios HP Records (na cidade de Salto-SP), Estúdio DoZé (na capital paulista) e no Bugre Áudio Design, em Sorocaba, sob supervisão do produtor Marcelo Bugre. A mixagem ocorreu em Los Angeles, a cargo de Sherwood e do engenheiro de som norte-americano Joe Gastwirt que  já masterizou discos de gente como Paul McCartney, Jimi Hendrix, Ramones, Talking Heads, The Beach Boys, Pearl Jam, Santana, Grateful Dead, Neil Young, Lynyrd Skynyrd, Marvin Gaye, James Brown e Miles Davis.

Credenciais não faltam para o bom desempenho do trabalho, apesar de ser cantado em português.

Ouça as músicas “Voar”, “Yes Blues”, “Tempo” e “Maya”, que as mais progressivas. “Som Do Sol” e “Quem Eu Sou?” são mais acústicas, reunindo outras influências interessantes dos músicos.

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