Problemas de organização atrapalham o Pinhal Rock Music Festival

Estadão

14 de agosto de 2012 | 12h00

Marcelo Moreira

Organização parece não ser o forte de parcela expressiva dos promotores de eventos de rock no Brasil. Após o fiasco do Metal Open Air, em São Luís (MA), no começo do ano, agora foi a vez de problemas absurdos afetarem o andamento do Pinhal Rock Music Festival, um dos festivai interessantes de heavy metal que estão brotando no interior de São Paulo e também no sul de Minas Gerais.

São dois os grandes problemas que afetam organizadores inexperientes/empresários de olho gordo maior do que a pança: promessas impossíveis de serem cumpridas e a sua consequência óbvia, o descumprimento do contrato e de vários acordos estabelecidos com as bandas profissionais.

O evento do último final de semana foi trágico, embora o público não tenha sido tão prejudicado. Muito atraso, problemas na montagem de equipamentos e na passagem de som, tentativas de sabotagem, acusações deprimentes e muita reclamação, coisas que destroem quanlquer tentativa de união.

As bandas mais conceituadas no evento, Shadowside e Hellish War, sofreram bastante com as condições ruins que encontraram na cidade de Espírito Santo do Pinhal, e só tocaram em respeito ao público que compareceu em bom número.

A nota de esclarecimento do Shadowside abaixo mostra a bagunça que foi o festival. Nenhum dos responsáveis pela organização do evento foi encontrado nesta segunda-feira, 13 de agosto, para comentar os probelmas e as queixas de algumas bandas.

NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE OS ACONTECIMENTOS NO PINHAL ROCK MUSIC FESTIVAL

Antes de qualquer coisa, gostaríamos de agradecer ao público de Espírito Santo de Pinhal e toda a região, que compareceu ao evento e o transformou em uma bela festa, apoiando tanto a nós do Shadowside quanto a todas as bandas que fizeram parte do festival. Vocês foram o verdadeiro show do dia!

Porém vários acontecimentos, especialmente a péssima organização e falta de tato dos promotores do evento, transformaram o que deveria ter sido uma reunião histórica de bandas em algo tenso e recheado de mentiras.Chegamos ao local às 11h da manhã, horário marcado com a produção do evento para o início da passagem de som do Shadowside.

Porém o equipamento de palco chegou apenas às 11h30, fato que sozinho já atrasaria todo o cronograma do festival. Estávamos todos cansados, afinal saímos de Santos às 6h da manhã, porém dispostos a ajudar. Nosso técnico de som não foi descansar nem almoçar apenas para dar um auxílio aos organizadores no local.

Quando fomos contratados para tocar no festival, combinamos uma série de coisas em contrato assinado com a organização, que eles nunca nos falaram que não seria possível. Uma delas foi a passagem de som antes da abertura da casa. A outra foi que deixaríamos nosso equipamento montado, especialmente a bateria. Isso é normal em qualquer lugar do mundo.

Assim como tocamos com nossos amigos do Torture Squad diversas vezes, e recentemente com o Viper, com a bateria DELES montada no nosso palco, não seria demérito algum para as bandas que tocariam antes de nós tocar com o nosso equipamento no palco, especialmente porque não teríamos problema algum em deixar a nossa bateria de lado para que todas pudessem ser acomodadas em igualdade de condições.

Assim como já dividimos equipamento com bandas antes, como foi o caso do nosso show no dia 12 em Campinas, onde compartilhamos todo o equipamento com o Heptah, nossa banda de abertura. Porém tudo foi conversado com o Heptah com antecedência.

Eles chegaram no local ao meio-dia, assim como nós, para conversar na boa e chegar a uma solução razoável para todos já que o palco era pequeno. Depois fomos almoçar juntos e trocar uma ideia como amigos. No Pinhal Rock Music Festival, NENHUMA banda apareceu para conversar durante o horário agendado para a passagem de som.

Ninguém combinou coisa alguma com ninguém, e na hora algumas bandas simplesmente queriam mudar tudo o que havia sido combinado e planejado. Como isso não aconteceu, eles se recusaram a tocar nos horários marcados – antes do Shadowside.

O que nós aceitamos sem qualquer problema, pois não vemos tocar antes de outras bandas como algo humilhante. O mais sensato era a produção ter colocado dois praticáveis móveis, pois enquanto uma banda tocava, a atração seguinte já iria montando o seu equipamento.

A produção tinha dois praticáveis fixos a disposição e não sabemos porquê, não colocaram os dois praticáveis lado a lado em cima do palco. Essa hipótese foi sugerida, mas não deram ouvidos. Portato, todo este caos, briguinhas e ameaças ridículas nem ocorreriam se a ideia tivesse sido aplicada. EM MOMENTO ALGUM limitamos o uso de qualquer equipamento da casa para todas as outras bandas.

Fomos acusados de termos tirado os retornos de outras bandas, porém não entendemos como isso poderia ser possível, pois a mesa disponível para TODAS as bandas no local era uma M7 digital da Yamaha que possibilita a cada banda fazer sua própria cena.

Se algumas bandas não tinham retorno, é simplesmente porque as mesmas não se deram ao trabalho de chegar cedo e/ou combinar passagem de som com os organizadores do festival para terem certeza de que tudo estava certo no palco. Nós pedimos passagem de som para nós, NUNCA proibimos passagem de som para os outros.

Profissionalismo acima de tudo, pois o público merece respeito. Todos tocamos por amor, mas todos devemos o melhor para cada fã que esteve lá presente. UNDERGROUND, ROCK E HEAVY METAL não são sinônimos de trabalho mal feito.

Fomos contratados para tocar um set de 1h30 e subir no palco às 23h. Estávamos prontos para entrar às 22h50, aguardando pacientemente o Hellish War terminar seu show tranquilos, em paz.

Nos acusaram também de entrar atrasados no palco, o que aconteceu apenas por falta de pulso da organização em manter o cronograma inicial proposto para o evento, começando pelo atraso de mais de 4 horas na montagem do palco.

Alguns minutos antes de entrarmos no palco nos foi pedido para cortarmos algumas músicas para que as outras bandas pudessem tocar um pouco mais cedo. Não gostamos da ideia, afinal muita gente estava lá para ver Shadowside e nunca havíamos tocado na cidade, porém aceitamos e combinamos que cortaríamos 3 músicas e fecharíamos o show em 1h.

O desrespeito e descaso começou quando com 30 minutos de show, pessoas ligadas à organização vieram perturbar o nosso guitarrista Raphael Mattos, pedindo a ele para que encerrássemos na música seguinte. Estávamos no palco fazendo nosso melhor e fazendo o possível para não transparecer todos esses problemas.

Quando dissemos que faríamos o combinado 5 minutos antes de começarmos a tocar, tentaram cortar nosso som direto na mesa. Ou seja, nem mesmo o que foi conversado na hora, em uma tentativa de ajudar, foi cumprido.

A banda Shadowside nada mais fez do que cumprir o seu contrato estando no local nos horários previstos para fazer o nosso trabalho: tocar. Se alguma banda se sentiu prejudicada com isso, culpem a organização inepta e exijam seus direitos firmados em contratos.

Se vocês querem passar o som, tocar com seu próprio equipamento, tocar mais tempo e/ou em um horário diferente, basta que conversem com antecedência tanto com os organizadores quanto com as outras bandas envolvidas nos eventos.

Um agradecimento especial ao Hellish War e seu manager Éliton Tomasi, que foram os únicos que entenderam a situação e que estávamos apenas fazendo o combinado e subiram ao palco para fazer um excelente trabalho, apesar das condições concedidas pela organização não terem sido adequadas. E por acaso, acabamos compartilhando parte do nosso equipamento com eles.

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