Por que a banda do cara dá certo e a minha não?

Estadão

29 de julho de 2013 | 17h00

Ellen Maris – publicado originalmente no site Preto e Metallico

Quem vivencia a cena underground a anos sabe que chegar ao mainstream é quase como ganhar na loteria. Muitos apostam, pouquíssimos ganham. Mas até pra ganhar na loteria você precisa jogar e investir um valor X bem antes.
Durante o tempo em que convivo com bandas, trabalhando ou só observando, uma coisa tem ficado cada dia mais clara: Chegar a um status de “Iron Maiden” é realmente mais difícil que ganhar na MegaSena acumulada mil vezes. É quase que algo único, mas não digo impossível. Mas se pode sim, chegar a ser uma banda grande, que vive da música.
De repente na sua cidade, a banda daqueles carinhas que começaram junto com você, passa a ser notada: fazem shows fora do estado, abrem pra bandas grandes e sai aquele vídeo clipe “foda” pelo qual você não contava…e aí, você simplesmente torce o bico e fecha o tempo. “Os caras tem grana pra bancar, pagaram pra abrir aquele show daquela super banda e agora estão metidos, nem olham na nossa cara.”

Será?
Vamos por partes:Os caras foram atrás do que queriam. Se eles pagaram, ainda sim, foi do bolso deles e não do seu. Não se consegue nada sem correr atrás. A sua banda pode até ser bem melhor musicalmente. Mas será que você teve a mesma atitude, fez a mesma correria, teve a mesma garra que a banda que hoje está exatamente naquele lugar em que você gostaria que a sua estivesse?
Vejo músicos passarem por cada situação…dessas das quais quando estão começando, são obrigados a ouvir de tudo um pouco, a serem tratados como qualquer lixo e mesmo assim continuam seguindo em frente.
Se ficam mais duros ou pouco acessíveis existe um histórico. Aliás, pra tudo há uma história. Não que eu esteja justificando atitudes arrogantes, mas, analise cada situação antes de sair rotulando qualquer músico de “rockstar”.
Daí, a banda dos caras finalmente consegue uma tour européia e somem da sua cidade, do seu país. Andam lado a lado com ídolos que você jamais pensou em conhecer e, após alguns anos, retornam à sua cidade pra uma apresentação: Lá está você, bem na frente ou lá atrás disfarçadamente conferindo de perto a façanha… ou cheio de orgulho batendo no peito dizendo: ” eu vi os caras quando ainda estavam começando”. Quem já não viu isso acontecer?
O Brasil é como se fosse um porão de bandas. Muitas, de extrema qualidade, amontoadas a outras nem tão boas assim. E fora desse porão, menos de 1% prova do doce sabor de viver da música e do reconhecimento como artistas que são. Mas não se esqueça do que eu falei no início: “o histórico”. Para provar do doce, houve todo um processo longo, suado e acima de tudo, persistência.
Não critique a atitude de quem conseguiu, quem correu atrás. Ficar reclamando não leva ninguém ao sucesso e nem vai trazer reconhecimento. Mude a sua atitude! Ou as bandas do “porão” irão se aglomerar ainda mais.

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