Pop rock está morto e longe de ressuscitar

Estadão

26 de novembro de 2012 | 07h00

Marcelo Moreira

De sucesso absoluto de público e crítica nos anos 80 ao mais profundo underground em cerca de 20 anos. A trajetória do pop rock nacional ladeira abaixo não é uma novidade, a crise bateu forte neste século e artistas populares dos segmentos sertanejo e pagode expulsaram os roqueiros das emissoras de rádio.

A lista hoje com mais credibilidade para medir a execução de músicas em rádios brasileiras é a Brasil Hot Air Play 100, produzida pela empresa Crowley/MusicMedia, e publicada mensalmente pela revista Billboard Brasil. Desde 2010 o pop rock nacional não consegue emplacar mais do que quatro músicas entre as 100 mais, e sempre em colocações abaixo do 60º lugar.

No período entre 19 de setembro e 18 de outubro deste ano, o panorama mudou um pouquinho: cinco músicas de pop rock aparecem na lista. O Jota Quest mantém o fôlego e têm aparecido em quase todas as listas nos últimos 12 meses – aparece em 42º lugar com a música “Tudo Está Parado”.

O NX Zero surpreende e aparece em 44º com “Maré”; a nota Strike invadiu a área e chegou 62º com “Fluxo Perfeito”; Charlie Brown Jr é outra banda que raramente deixa a lista e está na atual com duas faixas: “Dias de Luta, Dias de Glória” (72º)  e “Céu Azul” (81º). Convenhamos, o cenário não é nada animador.

Portanto, o Combate Rock reafirma: o pop rock nacional morreu para o mercado. As razões são várias, mas invariavelmente passam por uma grave crise criativa.

Algumas bandas da safra emo, como CPM 22, Fresno, NX Zero e CW7, ainda conseguem levar bom público aos shows, mas quem lota mesmo as apresentações são os veteranos medalhões, como Titãs, Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Skank e até mesmo os renascidos Raimundos. Ou seja, o que de melhor existe em pop rock na atualidade no Brasil tem pelo menos 30 anos de carreira e remete totalmente aos anos 80.

Mas não há nada que mereça destaque no mercado musical? Se tomarmos como base os destaques do segmento, em termos de qualidade, nestes anos 2000, sobra muito pouca coisa.

De longe os melhores trabalhos do período foram editados por duas bandas de rock instrumental, por incrível que pareça: Anjo Gabriel (Pernambuco) e Macaco Bong (Mato Grosso). Cachorro Grande (Rio Grande do Sul), Vanguart (Mato Grosso) e Ludov (São Paulo) apareceram como promessas, mas a dura batalha por um sucesso nas rádios ou na internet ainda os mantém no underground, ainda que tenham editado trabalhos interessantes.

Nos próximos dias o Combate Rock vai dar uma passada por alguns dos trabalhos mais interessantes que têm chegado às lojas e à internet dentro do pop rock, mostrando que há coisa boa sendo produzida, ainda que seja improvável que consigam destronar artistas inaudíveis do topo das paradas, como Luan Santana, Gusttavo Lima, Bruno & Marrone, Paula Fernandes, Thiaguinho e coisas ruins desse tipo.

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