Plexiheads: Banda estreia com álbum masterizado no Abbey Road Studios em Londres

Estadão

10 de junho de 2013 | 17h00

Antonio Celso Barbieri – site Barbieri – Memórias do Rock Brasileiro

Plexiheads é uma banda formada em 2010 por quatro músicos veteranos do cenário paulista, cujas carreiras musicais somadas provavelmente representem quase um século de luta. Plexiheads lançou um álbum altamente competente chamado Let me show you something (2013). Eu disse “quase um século de luta” porque, como muitos de vocês já descobriram, músico de rock no Brasil não toca, batalha!

Capitaneado por Luiz Sacomano (vocals e guitarra), mais seus amigos Fred Berlowitz (guitarra), Athos Costa (Bateria) e Norton Lagoa (baixo) o quarteto produziu este álbum excelente que vocês devem estar ouvindo neste momento. Como poderão notar, neste álbum, somos brindados com um Hard Rock poderoso, preciso e bem feito onde, a banda executa músicas de autoria própria com uma confiança e habilidade que, não nos deixa dúvidas que estamos ouvindo material de nível internacional. A primeira coisa que notamos é que esta banda não busca seguir modismos ou novas tendências e, que apenas tocam por amor e devoção à este estilo de Rock em particular.

plexiheads cover front

Entrevista com Luiz Sacoman

Barbieri: “Você fez parte de uma banda histórica e viveu aquela efervescência lá do meio dos anos 80. Que banda era esta? Conte-nos um pouco da sua história musical e porque aquela banda acabou.”

Luiz Sacoman: “Junto com meu irmão, Oscar Sacoman formei o Cavalo Vapor, oficialmente em 1986. Gravamos somente um álbum lançado em CD no ano de 1997.  Tenho muito orgulho deste trabalho independente produzido pelo querido amigo Paulo Zinner e que conta com a participação do Ian Gillan em um solo de gaita na faixa “Antes Só”. Acho que havia muita inspiração no ar e o sonho de sermos uma banda internacional alimentava a gana para fazermos o melhor. Infelizmente não existem mais cópias à venda. Encontrei outro dia um site na Europa onde o CD da banda era vendido. Acredito que existam links para download do trabalho que recomendo!”

Barbieri: “Vocês estão com este projeto maravilhoso chamado Plexiheads desde 2010. Dos anos 80 até 2010 representa um intervalo de 30 anos! O que você andou fazendo este tempo todo?”

Luiz Sacoman: “Durante alguns meses eu parei totalmente de tocar. Mas como todo músico nato, essa lacuna durou pouco. Durante este período me especializei na arte de pesquisar timbres de guitarra e amplificadores e me embrenhei no mundo do Blues/Rock incluindo algumas viagens para assistir a shows no exterior. Nesse meio-tempo fiz participações emtrabalhos de amigos, como o CD Liquid Piece of Me do guitarrista Serj Buss em 2007 e comecei a fazer aulas de canto, o que considero uma das coisas mais importantes que fiz neste período.”

Barbieri: “Porque o nome Plexiheads? O que significa e de onde vocês tiraram esta idéia?”

Luiz Sacoman: “O nome surgiu a partir do apelido dos amplificadores da época de Jimi Hendrix, cujo painel era do plexiglass (acrílico) + heads (cabeçotes), formando uma palavra sonora e intrigante, que também pode remeter a algo mais lúdico, como “Cabeças de Acrílico”. Na verdade o som do nome cativou a todos da banda.”

Barbieri: “É lamentável que vocês tenham sido barrados de participar de um festival de música na Pompéia por cantarem na língua inglesa! Como vocês vêem esta questão do idioma no rock?”

Luiz Sacoman: “Na época do Cavalo Vapor sentimos que por cantarmos em Português, existia uma barreira para que nos tornássemos uma banda internacional. Apesar do Brasil ter proporções geográficas continentais, sempre acreditamos que teríamos tido uma maior repercussão se tivéssemos gravado em Inglês. A PLEXIHEADS faz um Blues/Rock que combina mais com a língua Inglesa, além de abrir portas pelo mundo afora. Nosso desejo é participar de festivais internacionais e não vemos motivos para sermos vetados como ocorreu recentemente pelo fato de não cantarmos em Português. A música é universal, mas acreditamos que uma banda deve cantar em Inglês se quiser ser ouvida em todos os continentes.  Na verdade consideramos esta atitude da Feira de Artes da Pompeia um verdadeiro atraso, especialmente por se tratar de uma banda autoral, mas um fato isolado, pelo menos esperamos que seja.”

Barbieri: “Você já tinha tocado com os outros músicos do Plexiheads antes? Como foi que este músicos foram agrupados para este projeto?”

Luiz Sacoman: “Eu já havia tocado em um projeto há muitos anos com o baterista Athos Costa, na verdade somente uns 2 ou 3 shows nos anos 90. O Norton Lagoa tocou baixo em uma jam session e sempre me lembrava dele quando pensava em montar uma banda. Seu estilo pulsante e sua musicalidade chamaram minha atenção. Mas, voltando um pouco, à fase embrionária, a PLEXIHEADS seria um projeto solo meu. Durante o início das gravações a ideia inicial seria de chamar músicos para participações especiais. Logo nas primeiras sessões percebi a necessidade de montar uma banda “de verdade”. Foi então que chamei o Fred Berlowitz e começamos a pré-produção em seu home-studio. O Fred teve que deixar a banda antes do lançamento do CD, por questões contratuais e exigência do empresário de uma banda onde ele toca baixo. Ficamos tristes porque ele teve que fazer uma decisão, mas o apoiamos totalmente porque as perspectivas eram muito boas para ele. O bluesman André Christóvam o substituiu para os shows de lançamento. O organista Jimmy Diniz Papon entrou na banda e completou o time com seus timbres de Hammond incríveis. Filho do guitarrista Rainer Papon e da cantora Maria Diniz, aos 20 anos de idade é uma verdadeira revelação das teclas!”

Barbieri: “A qualidade do álbum “Let me show you something” (Deixe-me mostrar-lhe algo) está fenomenal e não é todo dia que uma banda brasileira tem a ousadia de masterizar seu trabalho no mesmo estúdio onde os Beatles, a banda Pink Floyd e alguns dos maiores nomes do rock mundial gravaram e continuam gravando, o lendário Abbey Road Studios em Londres. Conte-nos como foi que vocês conseguiram esta proeza?”

Luiz Sacoman: “Começamos a negociar com Steve Rooke por e-mail e vimos que seria possível termos esta verdadeira “benção roqueira” em nosso trabalho. Após alguns contatos, conseguimos conciliar alguns horários para as sessões, e o resultado foi muito além do esperado ! Não é por menos que o Steve Rooke é um dos engenheiros mais requisitados do Abbey Road, tendo em seu curriculum trabalhos com Paul McCartney, Page & Plant, somente para citar alguns nomes.”

Barbieri: “Algum plano para o futuro? Deixe aqui uma mensagem para seus fans!”

Luiz Sacoman: “A PLEXIHEADS é uma banda de apaixonados por Rock. O Norton Lagoa por exemplo morou em Londres na década de 70 e assistiu a shows de lançamento dos álbuns Led Zeppelin IV (71) e The Dark Side of The Moon do Pink Floyd (73). Somos apaixonados por falar sobre Rock, compor e tocar. Então, nosso maior sonho é que as pessoas conheçam as músicas da PLEXIHEADS e venham aos shows curtir com a gente algo feito com muito amor e dedicação.”

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