Please Please Me: os Beatles nascem de verdade – parte 5 – final

Estadão

31 de março de 2013 | 17h00

Irapuan Peixoto – site HQRock

O álbum faixa a faixa

Os Beatles ao vivo na TV americana.

Os Beatles ao vivo na TV americana.

I SAW HER STANDING THERE

(Lennon-McCartney)

O disco abre com um rockão. Após a contagem, explodem as guitarras de Lennon e Harrison, junto ao baixo pulsante de McCartney e à bateria marcada de Starr. Na instrumentalização, o baixo é o destaque, com um movimento melódico incomum para a época. Esta canção havia sido composta há pouco tempo, principalmente por McCartney, e era um dos momentos fortes da banda no palco do The Cavern Club. Curiosamente, apesar de não ser uma das canções mais famosas dos Beatles, ela parece que deixou uma marca na banda e nos fãs. Tanto que sempre aparece em momentos especiais da história. Quando John Lennon se apresentou ao lado de Elton John em um concerto no Madison Square Garden, em 1974, I saw her standing there foi uma das faixas que tocaram. Quando os Beatles foram premiados no Hall da Fama do Rock, em 1989, uma constelação de estrelas executou essa canção ao vivo: Mick Jagger, Bruce Springteen, Billy Paul nos vocais; George Harrison e Jeff Beck nas guitarras; Elton John no piano; Ringo Starr na bateria e muitos outros. Por fim, quando Paul McCartney fez uma apresentação especial no Cavern Club, em 2000, também tocou essa canção, ao lado do guitarrista David Gilmour (do Pink Floyd) e do baterista Ian Paice (do Deep Purple).

MISERY

(Lennon-McCartney)

Balada menor da dupla de compositores, é uma canção simpática, mas sem grandes atrativos. Foi composta para ser entregue à cantora Helen Shapiro, que nunca a gravou.

ANNA (GO TO HIM)

(Arthur Alexander)

Canção do obscuro cantor de R&B Arthur Alexander é um número forte, beneficiado pela interpretação apaixonada de John Lennon aos vocais. O ritmo cadenciado do violão (de Lennon) e da guitarra (de Harrison) também é uma marca dessa interpretação.

Os Beatles ao vivo em Washington-DC.

Os Beatles ao vivo em Washington-DC.

CHAINS

(Gerry Goffin-Carole King)

Outra canção menor do repertório da banda, pertencente à dupla de compositores profissionais Goffin e King, que teriam muitos hits no início dos anos 1960 e serviam de inspiração para Lennon e McCartney. É cantada a três vozes (Lennon, McCartney e Harrison), com o último tendo um pequeno interlúdio solo. Não é grande coisa. Curiosamente, no anos 1970, Carole King assumiria uma identidade folk e se tornaria uma das cantoras de maior sucesso do mundo.

BOYS

(Luther Dixon-Wes Farrell)

A estreia do baterista Ringo Starr nos vocais principais era uma grande brincadeira, ainda permitida nos anos 1960, já que a letra tem conteúdo feminino. Foi gravada originalmente pelas Shirelles, um dos grupos vocais femininos de maior sucesso da época. Acostumados a tocá-la ao vivo, os Beatles a gravaram em uma única tentativa. Lennon, McCartney e Harrison fornecem backing vocals.

ASK ME WHY

(Lennon-McCartney)

Lançada originalmente no Lado B do compacto Please Please me, é a primeira das quatro canções não-inéditas do álbum. É uma balada típica do início dos anos 1960, bem no estilo consagrado no Brasil pela Jovem Guarda.

Os Beatles tocam Please please me ao vivo no The Ed Sullivan Show, em 1964.

Os Beatles tocam Please please me ao vivo no The Ed Sullivan Show, em 1964.

PLEASE PLEASE ME

(Lennon-McCartney)

O Lado A do LP se encerrava com a faixa-título. É uma canção explosiva, com muita energia vocal e instrumental. É uma interpretação pungente dos Beatles e um clássico de sua primeira fase. A gaita tocada por John Lennon dá uma característica especial à canção, enquanto ele provém, também, vocais muito fortes e seguros. McCartney e Harrison fornecem os backings vocais e este último também acrescenta um curto interlúdio de guitarra muito interessante. O que o público atual deixa passar é o conteúdo picante da letra: de maneira disfarçada, Lennon fala sobre sexo oral. O texto diz: “Na noite passada/ Eu disse essas palavras para a minha garota/ Eu vejo que você nem tenta, garota/ Então, vamos, vamos, vamos…/ Por favor, me agrade, como eu te agrado”. Na tradução, perde-se o duplo sentido da palavra “please”, que quer dizer “por favor” e o verbo “agradar” ao mesmo tempo. O duplo “please” passa uma mensagem de urgência e prazer. E se a dúvida do significado ainda persistir, que tal o “come on, come on, come on” em crescendo até um clímax? Como um orgasmo?

LOVE ME DO

(Lennon-McCartney)

O Lado B do LP iniciava com o primeiro single da banda. Entretanto, esta não é a mesma versão lançada no compacto, mas outra gravada posteriormente. Esta versão é mais encorpada e bem tocada. A versão original de Love me do pode ser ouvida na coletânea de singles Past Masters.

PS I LOVE YOU

(Lennon-McCartney)

Seguindo a sequência cronológica, em seguida vem o Lado B do compacto Love me do. É uma canção tocada quase como um bolero, com letra estruturada como se fosse uma carta. A voz principal é de McCartney.

BABY IT’S YOU

(Burt Bacharach/ Barney Williams/Mack David)

Composta pelo célebre Burt Bacharach e também gravada pelas Shirelles, essa canção ganha uma versão definitiva com os Beatles. Apesar dos “sha-la-las” soarem estranhos aos ouvidos de hoje, é uma boa canção. A voz de John Lennon está rouca, porque já foi no fim da sessão de gravação, mas isso dá um charme ao registro.

Paul McCartney e John Lennon em dueto.

Paul McCartney e John Lennon em dueto.

DO YOU WANT TO KNOW A SECRET?

(Lennon-McCartney)

Estreia de George Harrison como cantor solo, é uma composição principalmente de John Lennon, inspirado em uma canção da trilha sonora de Branca de Neve e os Sete Anões. De estrutura simples, poderia ter sido um grande sucesso se a banda se dedicasse a promovê-la. Tanto que foi lançada pelo grupo Billy J. Kramer and the Dakotas e chegou ao primeiro lugar das paradas da Inglaterra. Pouco mais tarde, o grupo The Hollies também faria sucesso cantando a canção.

A TASTE OF HONEY

(Bobby Scott/ Ric Marlow)

Canção composta para uma peça de teatro homônima, é uma valsa tipicamente britânica e ganhou várias versões ao longo dos anos. Paul McCartney gostava de cantar números advindos do teatro britânico, como faria depois com Till there are you. A bateria tem tons jazzisticos, feita com vassourinhas e o baixo é bem marcado.

THERE’S A PLACE

(Lennon-McCartney)

Último original da dupla de compositores do disco, é uma boa faixa, esquecida dentro do enorme repertório dos Beatles. A letra reflexiva traz os primeiros elementos existencialistas de John Lennon, que iria refiná-los um pouco mais tarde. A execução da banda é muito forte, com backings vocais, baixo melódico, bateria pesada e uma gaita discreta. Por ter sido a primeira a ser gravada na maratona das sessões, é a que traz o vocal de Lennon com mais frescor, dentre as 10 inéditas.

Compacto com Twist and shout: marco do rock.

Compacto com Twist and shout: marco do rock.

TWIST AND SHOUT

(Phil Medley/ Bert Russell)

Canção de R&B gravada pelos Topnotes em 1961 e pelos Isley Brothers, em 1962, ganhou sua versão definitiva com os Beatles, que começaram a tocá-la nos clubes de Hamburgo na Alemanha e faziam dela o encerramento de seus shows no The Cavern Club de Liverpool. Gravada em uma única tentativa, com a voz de John Lennon indo embora por causa da rouquidão, virou um clássico absoluto dos anos 1960. Foi um grande sucesso nas rádios europeias ao longo de 1963 e permaneceu sendo uma das canções favoritas dos shows da banda nas turnês mundiais de 1964 e 1965. No Canadá, a faixa batizou o segundo álbum da banda, lançada pela gravadora Capitol canadense. Nos EUA, Twist and shout foi lançada em compacto em 1964 e chegou ao segundo lugar das paradas, atrás de outro disco da banda, Can’t buy me love. Desde o início, a canção foi um marco no cancioneiro internacional, mas ganhou uma segunda onda de sucesso após sua inclusão no filme Curtindo a Vida a Doidado, de 1986, que fez um grande sucesso e associou definitivamente a canção ao desbunde.

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