Please Please me: os Beatles nascem de verdade – parte 1

Estadão

30 de março de 2013 | 17h00

Irapuan Peixoto – site HQ Rock

A capa de Please Please Me: 50 anos de Beatles.

A capa de Please Please Me: 50 anos de Beatles.

50 anos atrás, o rock ganhava um marco definitivo. Em 22 de março de 1963, a banda britânica The Beatles lançava seu primeiro álbum, Please Please Me.

Em primeiro lugar, porque isso é importante? Primeiramente, é o primeiro álbum da banda, um marco. Em segundo lugar, os Beatles dão o ponta pé ao rock clássico e ajudam a definir o que chamamos hoje de rock. Isso porque, apesar do rock ter surgido nos Estados Unidos e se desenhado nos anos 1950, o rock só foi ter sua “cara” de verdade na Grã-Bretanha dos anos 1960, com o fenômeno cultural conhecido como Invasão Britânica, quando as bandas da Inglaterra ”invadiram” os EUA e fizeram sucesso no mundo todo.

Os Beatles foram a primeira banda relevante a gravar e lançar suas músicas no mercado, sendo, portanto, os pioneiros de sua geração. E sua geração definiu o que é rock.

Foi o sucesso dos Beatles que abriu as portas para outras bandas seminais dos anos 1960, como The Rolling Stones e The Who, consolidando a geração daquela década, que traria ainda Cream, Pink Floyd, Led Zeppelin, Black Sabbath etc.

Please Please Me, por isso, é antes de tudo, um marco histórico. E além, é uma obra interessante, realizada em um contexto mais interessante ainda. Vale uma conferida.

Abrindo o caminho aos ponta-pés

Os Beatles no início: criando uma linguagem.

Os Beatles no início: criando uma linguagem.

Os Beatles tem uma longa pré-história antes do sucesso alçado com Please Please Me. Depois disso, ficou bem mais fácil para qualquer jovem pegar uma guitarra, cantar suas músicas, formar uma banda e ser contratado por uma gravadora. Mas o Beatles tiveram que abrir caminho aos ponta-pés…

Não havia uma “cena de rock” consolidada na Grã-Bretanha. E para dizer a verdade, sequer uma “cena pop” jovem de verdade. A programação de rádio e TV era controlada pela estatal BBC, que não via o rock com bons olhos e o excluía de sua programação.

Assim, antes da fama, os Beatles eram representantes de uma cultura extremamente subversiva, mal vista pelos establishment. Mas usando seu talento e carisma, o grupo conseguiu chegar lá. E abriu espaço para todos os outros.

O Caminho do Sucesso

Os Beatles em 1959, com Tony Moore na bateria.

Os Beatles em 1959, com Tony Moore na bateria.

O embrião dos Beatles germinou em 1956, na cidade de Liverpool, no norte da Inglaterra. O rock and roll norteamericano explodia no mundo inteiro com Chuck Berry, Little Richard, Elvis Presley e Bill Halley e os adolescentes britânicos queriam entrar na onda. Mas o contexto britânico do pós-guerra era totalmente diferente do dos EUA. A Inglaterra estava destruída e empobrecida.

Jovens como John Lennon amavam o rock, mas não podiam comprar uma guitarra elétrica importada. Assim, a juventude aderiu ao Skiffle, que era um tipo de música britânica que misturava o blues rural dos EUA com a tradicional música acústica anglo-saxônica. E àquela juventude perverteu tudo, porque acrescentou o rock à mistura, dando ao rock britânico uma sonoridade distinta do rock norteamericano.

Harrison, o baixista Stuart Sutcliffe e John Lennon em Hamburgo, em 1960.

Harrison, o baixista Stuart Sutcliffe e John Lennon em Hamburgo, em 1960.

John Lennon fundou, em 1956, uma banda de skiffle chamada The Quarrymen, juntamente a colegas da escola. Eles tocavam em festas escolares, quermesses locais, bailes e clubes, com instrumentos acústicos e improvisados. Em 1957, Lennon conheceu Paul McCartney, dois anos mais novo, mas um guitarrista talentoso, e o convidou a ingressar na banda. Em pouquíssimo tempo, a dupla criou uma grande afinidade musical e passou a compor suas próprias canções.

Em 1958, foi a vez de George Harrison, um colega da escola de McCartney, ser convidado para entrar na banda, porque ainda tocava melhor do que os outros dois. Com uma linha de frente de três guitarras (Lennon, McCartney e Harrison) mais baixo, bateria e piano, os Quarrymen ficavam cada vez mais populares. Contudo, o fim da escola desmotivou vários membros – que precisavam arranjar empregos – e restou apenas o trio principal, que continuou tocando com outros nomes, como Johnny and the Moondogs.

Os Beatles como quinteto em Hamburgo, ainda antes da entrada do baterista Ringo Starr.

Os Beatles como quinteto em Hamburgo, ainda antes da entrada do baterista Ringo Starr.

Em 1959, a banda começa a se profissionalizar, aderindo definitivamente aos instrumentos elétricos. Após um período errante, conseguem outros dois membros fixos nas figuras do baixista Stuart Sutcliffe e do baterista Pete Best. Para celebrar o novo momento, John Lennon cria um novo nome para a banda: The Beatles! Mistura de Beetles (besouros) com Beat (batida, ritmo).

Em 1960, a banda vai para Hamburgo na Alemanha, onde ficam três meses se apresentando em bares e boates de strip-tease. Tocando sete horas por noite, a banda se aprumou e se profissionalizou. De volta à Liverpool, eram outra banda: eram selvagens no palco, usavam roupas de couro, estavam mais confiantes. Foram um sucesso. Logo, logo, The Cavern Club se tornaria a principal casa de shows de Liverpool e “a casa” da banda.

A formação definitiva, com Ringo Starr.

A formação definitiva, com Ringo Starr (esq.).

De volta à Hamburgo em 1961, os Beatles perderam o baixista Stuart Sutcliffe, que saiu para se dedicar às artes plásticas (e morreria um ano depois), com Paul McCartney se tornando o baixista e a banda virando um quarteto. Também na Alemanha, gravaram seu primeiro compacto, servindo de acompanhantes para o cantor e guitarrista Tony Sheridan. O single My Bonnie foi lançado e fez sucesso, chegando ao 5º lugar das paradas germânicas. No fim daquele ano, também conseguiram um empresário, Brian Epstein, que conseguiu uma audição na gravadora Decca, uma das maiores da Inglaterra, mas foram dispensados porque a gravadora não via futuro em bandas de rock.

Em 1962, conseguiram um teste com o selo Parlophone, da gigante EMI. O produtor George Martin os ouviu e gostou, contratando-os sob a condição de trocarem de baterista. Pete Best, que tinha problemas de relacionamento com os outros membros, foi demitido e substituído pelo baterista mais famoso de Liverpool: Ringo Starr, da banda Rory Storm and the Hurricanes. O compacto Love me do, de autoria de Lennon e McCartney foi lançado em outubro e chegou ao 17º lugar das paradas.

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