Planeta Terra: de novo muita espuma e pouca música de qualidade

Estadão

18 de novembro de 2010 | 08h28

Marcelo Moreira

Se você quiser ouvir boa música, fuja de qualquer festival que esteja sendo realizado no Brasil. Essa mania de fazer eventos “multiculturais”, “sustentáveis” e outros eufemismos ridículos apenas mascaram a verdadeira intenção: empurrar um monte de embustes e empulhação para ganhar dinheiro de trouxas.

Foi assim no péssimo SWU Festival, que só trouxe porcarias, foi muito pior no Natura Nós e agora repete a dose no tal Planeta Terra Festival. A música é o menos importante, caso contrário não teriam escalado artistas de quarto, quinto nível.

Formação atual do Smashing Pumpkins (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Para se ter uma ideia, os melhores nomes são Smashing Pumpkins e Pavement, duas bandas norte-americanas dos anos 90 e que se reagruparam recentemente. Se na época de auge não passavam do segundo escalão, imagine agora.

Também tida como atração de peso, os franceses do Phoenix não valem o ingresso, apesar dos elogios do colega de equipe do Combate Rock Daniel Fernandes. É um roquinho indie insosso, anódino e incolor, sem sal, sem qualidade, com músicas ruins e músicos toscos.

E por aí vai toda uma série de artistas internacionais indies, alternativos, chatos e muito ruins. Yesyear, Of Montreal, Passion Pit e outros teriam dificuldade de arrumar lugar para tocar em qualquer barzinho de São Paulo ou Curitiba. Outras coisas, como Girls Talk, Empire of the Sun e Hot Chip flertam com a música eletrônica, ou seja, não é música, não fazem música. Não merecem respeito – o mesmo para o pop ruim de Mika.

Portanto, o que sobra? Quase nada. Se o elenco internacional é ruim, então resta torcer para que surja algo entre os artistas nacionais para salvar a pátria. Pena que o cenário também é desolador. Nada de rock, somente grupelhos que fazem questão de se mostrar “indies” e “alternativos”, mas que não fazem nada de novo, não acrescentam nada.

Mombojó, de Recife, e Novos Paulistas, de São Paulo, se destacam um pouco da mesmice e da falta de qualidade que domina o evento. Apostam mais na música pop do que no rock e seus trabalhos de estúdios apresentam algumas ideias diferentes, mas nada que altere os rumos da humanidade. Provavelmente vão continuar submersos no submundo indie, que é o lugar deles.

O Hurtmold deveria ser o principal nome nacional do festival, teve repercussão quando lançou seu primeiro trabalho, mas depois chafurdou na mesmice que domina o ruim cenário pop nacional. Perdeu espaço para o Mombojó. República e Holger fazem um pop rock simplório e sem grandes atrativos. O pouco que ouvi das duas bandas não gostei.

Diante do panorama desolador, não há motivos para sair de casa e passar nervoso. Melhor ficar ouvindo rock de verdade e música de qualidade no sofá, lendo um livro.

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