Planeta Terra: artistas brasileiros respeitados

Estadão

23 de novembro de 2010 | 12h32

Lucas Nobile

Em sua quarta edição – a segunda realizada no Playcenter – o Planeta Terra respeitou seu público e as bandas em termos da qualidade técnica e limpidez sonora. Foi-se o tempo em que atrações brasileiras, encarregadas de abrir os festivais, eram prejudicadas em termos de volume e equalização do som.

No ano passado, os cuiabanos do Macaco Bong já haviam provado desse privilégio, sendo a primeira banda a se apresentar no palco principal, com um som alto, digno da porrada instrumental que eles se propõem a fazer.

Desta vez, coube ao Mombojó abrir os trabalhos do festival, com decibéis surpreendentemente elevados, possíveis de serem ouvidos quase que o do outro lado do parque de diversões. No início do show, Samuel e Marcelo tiveram pequenos problemas com baixo e guitarra, respectivamente, mas nada que comprometesse o desempenho.

Show da banda Holger (FOTO LEONARDO SOARES/AE)

A banda pernambucana, que havia prometido chegar com peso, subiu ao palco principal pontualmente, às 16 horas, tocou para uma ainda diminuta, mas animada plateia. Em um show curto, de apenas 40 minutos, conduzido por muita vitalidade do vocalista Felipe – que tirou a camisa e deu cambalhotas no palco – e do baterista Vicente, o Mombojó tocou músicas de seus trabalhos anteriores e do disco recente, como “Antimonotonia”, “Casa Caiada” e “Papapa”.

No mesmo horário, no palco Indie, a banda de tiozões roqueiros República se apresentou para não mais do que 100 pessoas. De bom tamanho para o som deles. O público, naquela hora, ainda preferia a montanha-russa e os carrinhos de bate-bate.

Depois, ainda viriam outros grupos nacionais, todos muito abaixo da média, com exceção do Hurtmold. O sexteto paulistano tocou também no palco secundário, às 17 horas, com toda a qualidade de seu som e muitos temas novos. A plateia, mais volumosa em relação ao show anterior, olhava para os músicos, estática. A banda é criativa e competente, mas ficou provado que não combinava com o público do festival.

Ainda havia tempo para enfatizar mais ainda o lobby banal pelo StudioSP, com mais bandas habitués da casa do Baixo Augusta. Em vez de se preocupar em destinar o espaço do palco Indie para revelar novos artistas, a organização do festival preferiu optar por atrações já manjadas dos paulistanos. Pena que o som não passou de pasmaceira.

Às 18h30, os nada criativos da banda Holger mostraram mais uma vez que apenas sabem fazer uma cópia deslavada de rock britânico, mas chegaram a empolgar a plateia, que já praticamente lotava o espaço.

O Mika e o mico. O pior mesmo teve início às 17h30, descabidamente, no palco principal. Se, às 20h30, o festival foi incendiado com o baile gay do Mika, antes teve um verdadeiro mico protagonizado pelos pretensiosos Novos Paulistas. A reverenciada turma de Moraes, Pepeu e Baby, dos Novos Baianos, ficaria corada de ver o que os novatos de São Paulo fizeram no Planeta Terra.

Banda Novos Paulistas no Playcenter (FOTO LEONARDO SOARES/AE)

Foi um desfiles de erros – exceto Tiê com sua camiseta de Tina Turner e Tulipa Ruiz com sua bela voz em Efêmera –, com Dudu Tsuda inventando de cantar, Tatá Aeroplano puxando um trava-línguas achando que reinventava a roda já gasta por Tom Zé, e Thiago Pethit, sem sal, movimentando os braços como se regesse alguma coisa. Infelizmente ser novo não significa apresentar novidades.

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