PJ Harvey veste as cores da bandeira inglesa

Estadão

10 Abril 2011 | 16h25

Roberto Nascimento

Polly Jean Harvey buscou inspiração da terra-mãe para as canções de seu novo álbum, o propriamente batizado Let England Shake. É uma guinada considerável para uma cantora que fez seu nome nos anos 90, destilando desejo e profanidade com nada mais que uma voz sensual e uma guitarra dilacerante.

A PJ recente, que segue o rumo apontado por White Chalk, de 2007, não é ufanista, apenas histórica em sua abordagem de batalhas, agricultura e cotidiano popular britânico. As composições são intimistas, como se tivessem sido feitas no aconchego de um chalé, longe da angústia sensual que outrora impulsionou a cantora.

O resultado é diluído como os verdes de uma aquarela, uma sonoridade que vez ou outra aspira ao clima regenerativo do new age de Enya. PJ sempre foi uma senhora guitarrista, mas aqui evita a distorção, aumentando seu pedal no máximo a um leve rosnado em Bitter Branches. Mas o passado não se esconde: é aí, num punk semiacústico, que PJ realmente brilha.

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