Pitty e o Agridoce: som solar, música sombria

Estadão

26 de dezembro de 2011 | 17h00

Pedro Antunes

Chamar Agridoce, de Pitty,  de folk pode até ter feito sentido num primeiro momento. Mas, depois de 22 dias enclausurados na Serra da Cantareira, com instrumentos ao redor e microfones captando o som ambiente, o disco tomou outra forma. A cantora foi para o piano, e Martin abusou dos violões. Algo sem percussão orgânica, ou bateria, apenas alguns elementos previamente programados no computador.

Quando deixaram que o disco falasse por si só, evoluísse da maneira que fosse mais adequado, o álbum cresceu em forma e corpo. Há texturas orquestrais em Romeu, Upside Down e Epílogos, de André T, mas tudo mantendo o caráter minimalista inicial.

Martin também canta – como o faz no seu outro projeto, com o baterista Eduardo –, e não decepciona. Soltando a voz em português, inglês e francês, Pitty se mostra poderosa nesse tipo de canção de amor. Um amor destruidor. Um amor que dá vontade de morrer. Um amor desesperado difundido por Morrissey em seu The Smiths.

Não por menos, eles fecham o disco com uma versão (fofa) de Please, Please, Please, Let Me Get What I Want, clássico da banda inglesa de 1984, única faixa não assinada por eles. O som leve dá ao disco um formato solar, mas as letras são doídas e sombrias.

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