Pitty despluga e fica mais mansa

Estadão

19 de novembro de 2011 | 07h00

Roberto Nascimento

Pitty caiu no gosto dos descolados em 2009, com o hit Me Adora. Até então, era a rainha do hardcore brasileiro, padroeira de uma multidão adolescente que se identificou com a rebeldia metaleira dos discos Admirável Chip Novo e Anacrônico.

A canção agradou aos fãs de outrora, mas mudou o script com batida de girl group e letra de dama ferida (“Não sei mais o que eu tenho que fazer /Pra você admitir / Que você me adora / Que me acha foda”), valendo-se do zeitgeist brega que ainda perfuma a vanguarda paulistana (Pitty chegou a cantar a música com Odair José e Cidadão Instigado em uma festa) e transformando sua persona na de uma diva mainstream com credenciais independentes.

Portanto, é natural que Agridoce, seu novo projeto, seja acústico, tenha veia folk e traga um single (Ne Parle Pas) cantado em francês. “No Chiaroscuro (de 2009) a gente parou de ser apelidado de banda de criança”, contou Pitty durante o último dia de gravação do novo disco. “Assim, juntaram-se dois públicos, dois mundos. Foi uma experiência libertadora, minha música parou de ser reduzida a uma faixa etária à qual não pertenço mais.”

Agridoce é cria de Pitty e Martin Mendonça, guitarrista que a acompanha desde 2004. As canções foram feitas com moldes e macetes de indie pop: violões de aço, mandolins, percussão mínima, piano e melodias ensolaradas. O disco tem lançamento previsto para novembro pela Deckdisc e foi gravado num período de 22 dias, em uma casa alugada na Serra da Cantareira, zona norte de São Paulo.

“A gente queria encontrar a casa em que os Mutantes fizeram Jardim Elétrico”, diz Rafael Ramos, produtor. “Procuramos no Google e calhou de acharmos essa, que tem um puta som benéfico”, diz, referindo-se ao chão, às paredes e ao teto de madeira que dão a sonoridade aconchegante do disco.

Agridoce foi gravado na sala de estar da casa, mas o estúdio também foi para a piscina, onde registraram algumas faixas com sons ambientes. Além de chuveiro quente e eletricidade, são poucas as regalias da dupla. A internet pega de vez em quando, o lanche é uma porção de nuggets fritados por Rafael. Na estante sobre a lareira, vinis clássicos de Dylan, Robert Johnson e John Lennon serviam de amuletos.

A ideia de fazer um disco mais intimista já cutucava Pitty quando ela começou a passar mais tempo na casa de Martin para gravar demos. As composições começaram a fluir e logo uma das demos, Ne Parle Pas, chegou nas mãos de Tejo, produtor do Instituto, que insistiu em fazer o remix. Se haveria remix, então teria de haver uma gravação boa do single.

Foi quando a decisão de fazer o disco surgiu. Quando a reportagem pergunta se houve hesitação em fazer um disco diferente do que os fãs estão acostumados, Pitty responde: “Não me preocupo com os fãs. Se eu fizer isto, vou me ferrar.”

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