Pete Townshend embolsa fortuna com catálogo de composições

Estadão

26 de abril de 2012 | 17h00

Andy Greene – Rolling Stone  –  traduzido e publicado pelo site The Who Brasil.

Nos últimos 20 anos, a música do Who foi usada para divulgar carros esportivos, medicamentos para alergia e três encarnações do CSI. Mas isso foi apenas o começo.

Em 24 de janeiro, Pete Townshend anunciou que estava vendendo os direitos de editoração de seu vasto catálogo de composições para a Spirit Music Group – empresa que controla parte ou a totalidade dos direitos de canções de artistas que vão de Grateful Dead a Lou Reed – e que agora planeja introduzir a música do Who de forma ainda mais agressiva em filmes, televisão e outras mídias. “É o maior acordo que já fizemos até hoje”, disse Mark Fried, presidente da Spirit. “Vamos cuidar de toda a obra dele”.

A empresa, que passou três anos negociando com Townshend, tem grandes planos para o catálogo. Das aproximadamente 400 canções compostas por Townshend, atualmente meras sete faixas – sucessos como “Won’t Get Fooled Again” de 1971 e “Who Are You” de 1978 – são responsáveis por 96% dos licenciamentos do Who para cinema e TV. “É um crime”, disse Fried, que espera em breve conseguir emplacar gravações mais obscuras, como o lado-B de 1968 “Call Me Lightning”.

Ele também sonha com uma nova temporada na Broadway para o musical Tommy, de 1992, com uma produção teatral no West End de Londres para a ópera-rock Quadrophenia, de 1973 – ou mesmo construir um novo espaço teatral personalizado para apresentar a música do Who. “Talvez o show possa se basear em Lifehouse”, diz Fried, referindo-se à inacabada ópera-rock de 1971, “ou na totalidade do repertório da banda, proporcionando ao público uma experiência sensorial completa”.

Os direitos de editoração – que geram o pagamento de direitos autorais ao compositor toda vez que sua obra é tocada, apresentada ou normalmente licenciada – é uma fonte de renda cada vez mais importante para a combalida indústria musical. “Se você emplaca uma canção perene, não precisa trabalhar nunca mais”, declarou o advogado Josh Grier, que negociou acordos similares para o B-52s e o Fountains of Wayne. “Ela simplesmente continua a gerar receita”.

Apesar de nenhum dos lados revelar a quantia paga a Townshend pela Spirit, especialistas estimam que o valor esteja na casa das dezenas de milhões, provavelmente em torno de 100 milhões de dólares.

Townshend, que atuará como consultor para a utilização de seu catálogo (mas sem poder de veto formal), planeja usar a fortuna recém-adquirida para financiar novos trabalhos – incluindo aí a aguardada ópera-rock Floss – ao invés de depender de lucros obtidos em turnês.

“Em certo sentido, esse acordo pode permitir que Pete se livre do peso da marca The Who”, disse Carrie Cook, diretora de projetos especiais de Townshend. “Seus projetos, como a série de concertos acústicos In The Attic ou seus álbuns solo, sempre foram considerados paralelos. Agora ele pode se focar mais neles. Esse acordo permitirá que ele leve sua criatividade para onde quiser”.

Mas o Who ainda tem pelo menos mais um grande projeto em mente: uma turnê de Quadrophenia prevista para começar em novembro. E em 8 de outubro, a esperada autobiografia de Townshend, intitulada provisoriamente Who He?, chegará às livrarias. “Com todo o respeito a Keith Richards, Pete está escrevendo um tipo diferente de livro”, disse Fried. “Pete está escrevendo tudo sozinho. Ele quer compartilhar os fatos da maneira mais sincera possível, então podem esperar uma obra longa e intensa”.

 

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