Pérolas e raridades do Cactus, uma das origens do hard rock

Estadão

17 de dezembro de 2010 | 08h32

Marcelo Moreira

Se os ingleses inventaram o heavy metal, então os norte-americanos criaram o hard rock. Essa corrente de pensamento voltou a ser difundida nas emissoras de rádio ianques hospedadas na internet especializadas em classic rock.

De uma hora para outra, DJs e apresentadores de pelo menos dez emissoras de peso resgataram o som de bandas como Blue Cheer, Steppenwolf, Iron Butterfly e Cactus para tentar definir a “paternidade”, em contrapartida ao senso comum de que os britânicos Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple são a origem do heavy metal.

E o Cactus volta à berlinda com o relançamento de dois CDs duplos com raridades e gravações ao vivo em 2011, mostrando um pouco da qualidade suprema desta banda pesada e anárquica.

“Fully Unleashed: The Live Gigs” e “Fully Unleashed: The Live Gigs – Vol. 2” traçam um painel mais cru e energético do grupo, que por alguns momentos no início dos anos 70 chegou a rivalizar em peso e em prestígio com o excelente Grand Funk Railroad. O blues e o rock básico estão presentes, mas o peso domina as ações nos shows.

Grande parte do material é uma compilação de material gravado ao vivo, mas que nunca veio a ser efetivamente publicado. Algumas músicas foram gravadas em 19 de dezembro de 1971 em Memphis, Tennessee , outras foram são da apresentação do Isle of Wight Festival, na Inglaterra, em 28 de agosto de 1970. Há também registros na cidasde de Buffalo, nos Estados Unidos, em junho de 1971 e no Mar y Sol Pop Festival, em Porto Rico, em abril de 1972.

Capa de ‘The Cactus Anthology’, com a foto da formação original

Em 2004, a gravadora-editora Rhino Handmade lançou o volume 1. O segundo chegou ao mercado três anos depois. As reedições devem chegar primeiro por via digital, nas principais lojas virtuais norte-americanas, em meados de janeiro. Até o meio do ano estão previstas novas edições em CD.

Breve resumo da carreira, com a preciosa ajuda do Muro do Classic Rock
 

Tudo começou em 1967 com o Vanilla Fudge, banda formada por Tim Bogart (baixo, vocais), Carmine Appice (bateria), Mark Stein (teclados, vocais) e Vince Martell (guitarra, vocais). Seu som era um pouco indefinido, pois mesclavam influências de música sinfônica e hard-rock ao mesmo tempo tanto em músicas próprias como versões (“Eleanor Rigby”, dos Beatles, por exemplo).

Depois de dois anos e um relativo sucesso nos Estados Unidos, brigas internas acabaram decretando o fim da banda. Bogart e Appice acabaram sendo convidados por Jeff Beck prá formarem uma superbanda ao lado dele e de Rod Stewart, porém nessa época Beck acabou sofrendo um acidente sério que o deixou fora de circulação por um bom tempo.

Bogart e Appice não iriam aguentar ficar tanto tempo parados, e acabaram convidando o cantor Rusty Day, vindo do Amboy Dukes (banda de Ted Nugent) e o guitarrista Jim McCarty, que havia tocado no Mitch Ryder Detroit Wheels e no Buddy Miles Express. Com essa formação gravam seu clássico primeiro disco, intulado somente “Cactus”.

Com porradas bem rock’n’roll (“Let me Swin/Feel so Good”), “baladinhas” com pitadas levemente country (“My lady from south of Detroit” – homenagem à alguma “dama” da cidade natal de Rusty e McCarty) e covers inspiradíssimos (“Parchman Farm”, de Moses Allison, e “You Can’t Judge a Book by the Cover”, de Willie Dixon).

Apesar de fazer um hard supervirtuoso a banda não consegue emplacar este disco, e em 1971 lançam mais dois álbuns: One Way… Or Another e Restrictions. Estes dois discos seguiam a fórmula do primeiro disco alternando petardos (“Rock’n’Roll Children/Big Mama Boogie/Evil/Sweet Sixteen”) à versões novamente inspiradíssimas (“Long Tall Sally/Token Chokin’”) e as inevitáveis baladinhas (“Song for Aries/Alaska”) tudo isto misturado com pitadas de boogie e country, resultando em mais dois grandes álbuns de hard rock setentista.

Porém, talvez devido à pouco repercussão destes álbuns na época, novamente brigas internas acabaram fazendo com que Rusty e Bogart saíssem da banda em 1972. Então foram chamados no vocal o cantor Peter French, egresso do Atomic Rooster, e mais dois músicos de Detroit, o tecladista Duane Hitchings e o guitarrista Werner Frittzchings. Com essa formação gravam mais um álbum, o “Ot’n’Sweaty”.

Fully Unleashed – The Live Gigs

VOLUME 1

CD1

01. Intro/Long Tall Sally* (12:16)
02. Bag Drag* (3:10)
03. Evil* (16:11)
04. Parchman Farm* (6:21)
05. Alaska* (3:56)
06. Oleo* (11:19)
07. No Need To Worry* (20:18)
08. Let Me Swim* (5:06)

CD2

01. Big Mama Boogie – Parts 1 & 2*
02. Medley: Heeby Jeebies/ Money/ Hound Dog/ What’d I Say*
03. No Need To Worry**
04. Parchman Farm**
05. One Way…Or Another
06. Bro. Bill*
07. Swim
08. Bad Mother Boogie
09. Our Lil Rock-N-Roll Thing
10. Bedroom Mazurka

VOLUME 2

CD 1

 01. Intro – Tuning

02. Long Tall Sally

 03. Parchman Farm

04. Mellow Down Easy

05. Feel So Bad

06. Walkin’ Blues

07. Scrambler – One Way… Or Another

08. Oleo
CD 2

 01. Bro. Bill

02. Token Chokin’

03. Slow Blues (Medley)

04. Heebie Jeebies – What’d I Say

05. Evil
Recorded live at Gilligan’s, Buffalo, NY (06/26/71)

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