Pearl Jam se apresenta hoje em São Paulo

Estadão

03 de novembro de 2011 | 14h04

Pedro Antunes – Jornal da Tarde

Pare e inspire fundo. Em algum momento, o cheiro de naftalina invadirá os pulmões. Os ares de 2011 são perfumados com esse sentimento de nostalgia dos anos 90. Os ventos soam barulhentos, com guitarras carregadas de distorção e vozes raivosas. Os shows dos gigantes do grunge Pearl Jam, nas noites de quinta e sexta-feira, às 20h45, no Morumbi, vêm para coroar o ano em que as camisas de flanela e suas estampas xadrez saíram de vez dos armários e estão para todos os lados – basta prestar um pouco de atenção ao redor.

Pearl Jam se apresenta em São Paulo nesta quinta-feira - Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE
Pearl Jam se apresenta em São Paulo nesta quinta-feira 

A turnê que traz Eddie Vedder e companhia não é uma qualquer. Trata-se da comemoração dos 20 anos de carreira da banda que tem a marca de 60 milhões de discos vendidos, iniciada com o lançamento do antológico Ten, em agosto de 1991. Serão cinco megashows em São Paulo, Rio de Janeiro (dia 6), Curitiba (9) e Porto Alegre (11). A princípio, o grupo tocaria no Morumbi apenas uma vez, mas como os 68 mil ingressos se esgotaram em um dia, foi aberta uma nova data (quinta-feira), ainda com bilhetes disponíveis.

Baseado nas duas últimas apresentações em São Paulo, em 2005, daqueles que já foram um punhado de arruaceiros de Seattle e hoje formam um quinteto de no mínimo quarentões, os fãs terão um espetáculo e tanto pela frente. A banda, conhecida por variar seu set-list a cada apresentação, deve trazer surpresas. À época, foram dois shows arrasadores no Pacaembu, para 31 mil pessoas, com direito a homenagens a Ramones, MC5 e até Beatles. Na ocasião, Vedder até arranhou português: “Cuidem um dos outros”, pediu.

Tomando como base as últimas apresentações do grupo neste ano, então, é possível tentar antecipar algumas atrações, como um provável cover de Search and Destroy, dos Stooges, e a sempre presente Rockin’ In The Free World, de Neil Young. Even Flow, Alive, Last Kiss, Do The Evolution, Better Man, clássicos obrigatórios, devem ser mesclados entre as apresentações.

Pode-se esperar tudo de Eddie Vedder (voz e guitarra), Mike McCready (guitarra solo), Stone Gossard (guitarra base), Jeff Ament (baixo) e Matt Cameron (bateria). Desde 1991, o Pearl Jam tem conseguido trazer o som já visceral dos estúdios para os palcos. Vedder, que quando entrou no grupo era um surfista tímido de 25 anos, logo tornou-se um monstro dos palcos, fazendo macaquices – com direito às tradicionais escaladas nas estruturas dos palcos –, e, claro, com um vozeirão potente. Eles podem estar mais velhos, mas seus shows são famosos por muita barulheira.

A presença do Pearl Jam por aqui coroa 2011, o ano em que os anos 90 estiveram mais vivos do que nunca. Yuck e The Pains of Being Pure At Heart, bandinhas novas e espertas com integrantes de vinte e poucos anos, passaram e mostraram que o som daquela época não é só para os mais antigos. O que falar do Guns’N Roses, do gorducho Axl Rose, entoando seus hinos noventistas na última noite do Rock in Rio? Ou, então, do line-up do festival SWU, marcado para os dias 12, 13 e 14 de novembro, com Stone Temple Pilots, Alice in Chains, Faith No More e Chris Cornell (a voz dourada do Soundgarden)?

Tudo começou há exatos 20 anos. O mundo da música foi chacoalhado por todos os lados. Do Reino Unido, Teenage Fanclub, Primal Scream – outros que também deram as caras por aqui neste ano – e My Bloody Valentine, abalavam as estruturas da corte inglesa e invadiram a América. A revanche veio de Seattle, de uma turma cabeluda e barulhenta, com guitarras destruidoras e uma sonoridade borrada. Nirvana, Soundgarden e, claro, Pearl Jam lideraram o movimento grunge e saíram vencedores. A música alternativa invadiu as rádios.

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