Pearl Jam encerra passagem por São Paulo com show memorável

Estadão

06 de novembro de 2011 | 22h39

Ricardo Gozzi – Agência Estado

 A banda norte-americana de rock Pearl Jam encerrou sua passagem por São Paulo em 2011 esbanjando energia, versatilidade e mat uridade no show da noite desta sexta-feira, 4, no Estádio do Morumbi. Em uma apresentação honesta e direta, a banda entregou ao público um repertório de quase 30 músicas e poucas repetições em relação à noite de quinta-feira, mas nem por isso carente de surpresas e canções essenciais que duas décadas de estrada inevitavelmente transformaram em clássicos.

Eddie Vedder durante o show do Pearl Jam no Morumbi - Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE
Eddie Vedder durante o show do Pearl Jam no Morumbi

 

O Pearl Jam subiu ao palco às 21h17 com a poderosa “Go”, que abre “Vs.”, o segundo disco da banda, lançado em 1993. Como se o público já não estivesse animado o bastante com a esperada passagem da banda pela cidade depois de seis anos de ausência, “Do the Evolution” despejou ainda mais eletricidade na nublada noite paulistana.

Do primeiro ao último minuto das mais de duas horas de show, o Pearl Jam demonstrou que maturidade e rock’n’roll não apenas podem caminhar lado a lado, como são capazes de abrilhantar ainda mais a atuação de uma banda no auge da forma. Os norte-americanos tiveram habilidade e bom gosto ao inserir baladas como “Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town” e “Black” no meio de petardos furiosos.

Depois da primeira parada, ao apresentar “Inside Job”, o vocalista Eddie Vedder disse considerar a cidade de São Paulo uma parte da música. Vedder contou que o guitarrista Mike McCready mostrou a música pela primeira vez para ele quando a banda estava hospedada na capital paulista durante sua passagem pelo Brasil em 2005. “Inside Job” faz parte do álbum “Pearl Jam”, lançado no ano seguinte.

Uma das marcas da atual turnê do Pearl Jam é o proveito que a banda consegue tirar de seu vasto repertório. Com dezenas e dezenas de canções mais do que ensaiadas, o Pearl Jam pode se dar ao luxo de apresentar um show a cada noite repetindo apenas o que há de mais essencial em seu trabalho.

Foram 25 músicas tocadas na quinta-feira e 29 na sexta. De todas elas, apenas nove canções foram incluídas nas duas apresentações, e isso incluiu clássicos como “Alive”, “Evenflow” e “Betterman”. Se o público da primeira noite foi contemplado com “Corduroy”, “Daughter” e “Porch”, o da sexta-feira ouviu “Given to Fly”, “Once” e “Jeremy”.

E as surpresas não se limitaram às músicas de autoria da banda. Quando o show já caminhava para o fim, o Pearl Jam tocou a balada sessentista “Last Kiss”, de Wayne Cochran, e apresentou uma versão memorável de “Baba O’Riley”, do The Who.

Não é qualquer banda que dispõe de um repertório da envergadura do Pearl Jam, mas, até mesmo entre as que têm, são poucas as que ousam se aproveitar da situação.

Para encerrar, depois de mais de duas horas de show e quando talvez já não se esperasse mais nenhuma surpresa, ou já não se soubesse mais o que esperar, o Pearl Jam fechou a noite com “Yellow Ledbetter” e mandou os paulistanos – e também quem veio de fora para ver o show – de volta pra casa com o queixo caído.

Agora o Pearl Jam segue para shows no Rio de Janeiro, em Curitiba e em Porto Alegre antes de deixar o Brasil com destino à Argentina.

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