Paul Di'Anno revive o Iron Maiden, mas fala em 'maneirar'

Estadão

01 de setembro de 2010 | 08h20

Pedro Antunes – Jornal da Tarde

Imagine-se no lugar dele: aos 20 anos, você é o vocalista de uma banda, grava discos, começa a fazer sucesso, ganhar dinheiro. Quando tudo parece perfeito, é demitido – ou resolve sair, as versões divergem.

A banda vira ícone mundial, vende mais de 80 milhões de discos e você é obrigado a sobreviver à margem de tudo isso. Deve ser difícil ser Paul Di’Anno, primeiro vocalista do Iron Maiden. Mesmo diante de tudo isso, Di’Anno é persistente.

Depois de ter gravado os álbuns “Iron Maiden” (1980) e “Killers” (1981), com sucessos cantados até hoje pelo carismático vocalista Bruce Dickinson, como “Phantom of the Opera” e “Wrathchild”, o vocalista embarcou em outros sete projetos de banda, ganhou alguns quilinhos, perdeu cabelo e lançou uma biografia.

Paul Di'Anno em entrevista no estúdio da TV Estadão

Paul Di'Anno em entrevista no estúdio da TV Estadão

Mas a sombra da Donzela de Ferro, como a banda é chamada, sempre foi grande. Di’Anno nunca pareceu se incomodar muito. Aliás, ser o primeiro vocalista do Iron Maiden dá muita credibilidade na praça.

Em 2010, comemora-se 30 anos do lançamento do primeiro disco do Maiden. Como homenagem – e para ganhar uns trocados –, Di’Anno entrou em turnê pelo mundo tocando o disco na íntegra.

Depois de passar por Estados Unidos, Europa e Austrália, o cantor está no Brasil – onde morou por 11 anos, em São Paulo – desde agosto. Serão 20 shows em 33 dias. Na quinta-feira, ele se apresenta no Manifesto Bar, em São Paulo, lugar de veia roqueira, com exposição de guitarras de outras bandas de heavy metal, como Metallica e Kiss.

A rotina, porém, tem derrubado o The Beast (‘A Besta’, em português), como ele se autodenomina. Di’Anno está cansado. Discurso de sexo, drogas e rock’n’roll? Nem tanto.

Em entrevista exclusiva ao JT, do Rio de Janeiro, o vocalista de 52 anos diz que precisa se aquietar um pouco, ficar com a esposa e as três filhas.

Paul Di’Anno – Manifesto Bar (R. Iguatemi, 36, Itaim Bibi). Tel.: (011) 3168-9595. Na quinta-feira, às 20h. R$ 60.

Você vai tocar na íntegra um disco lançado há 30 anos. Isso não é estranho?

Olha, serão 27 músicas. Em alguns shows, eu tento evitar algumas delas, mas as crianças (o público) querem me matar. É um pouco estranho, mas, de certa forma, é uma maneira de agradecer. Um modo de dizer: ‘Obrigado por tudo o que fizeram por mim’.

Mas o que esse disco representou para a música?

Nós éramos muito diferentes das outras bandas. Queríamos começar uma revolução, entende? Tínhamos um espírito mais punk. Não imaginávamos que a banda chegaria tão longe. Só gostávamos de mostrar nossa música.

Você já deve ter respondido essa pergunta um milhão de vezes, mas vamos lá: se arrepende de ter saído?

Nunca. Éramos grandes amigos no começo. Mas, de repente, começamos a ganhar milhões. Deixamos de ser uma banda e passamos a ser uma máquina de fazer dinheiro. Perdemos nosso ideal.

O que achou, então, do novo disco do Maiden, ‘The Final Frontier’, lançado mês passado?

(Risos) Prefiro não falar sobre isso, cara. O Iron Maiden teve músicas fantásticas. Muitas era festas enquanto tomávamos cerveja. Era outra coisa.

Na sua saída da banda, você chegou a comparar o Steve Harris (baixista e líder do Iron Maiden) a um ditador, como Mussolini ou Adolf Hitler…

Cara, o Steve é mau. Ele controla um regime muito forte. Só tem o ponto de vista dele. Eu tinha algumas músicas boas para o Iron, mas só tocávamos músicas dele.

No passado, você teve problemas com abuso de álcool e drogas, mas tem se mantido na estrada. Como é viver assim?

Nossa, eu não estou vivendo, estou morrendo! Preciso de um tempo, tenho de operar meu joelho direito. É difícil, sabe? Minha esposa fica brava. Ela me diz: ‘Não quero ver meu marido morrendo no palco’. E ela tem razão.

Mas com tantos shows em pouco tempo, dá para curtir as cidades? Você está no Rio, certo?

Cara, todos da banda estão gripados. Então, temos ficado mais no quarto, assistindo televisão. Até saímos um pouco, mas precisamos nos recuperar.

Você está numa turnê por 20 cidades brasileiras, em pouco mais de 30 dias. Não parece atitude de alguém cansado.

Eu sou estúpido. Gosto de tocar, e pronto. Mas preciso tirar um tempo. Ficar em casa, com as crianças. Quero fazer mais shows, claro. Estou em turnês pelo mundo há uns 8 anos já.

Quais são seus planos, então?

Vou voltar para Miami. Ficar com as minhas três filhas e minha esposa, Maria.

Nem vou perguntar, então, sobre as mulheres brasileiras.

(Risos) São Paulo sempre teve mulheres lindas, fantásticas, assim como o Rio de Janeiro. Mas estou muito feliz com a Maria. Ela foi Miss Venezuela, cara. Se é que você me entende (Risos).

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