Pat Travers, o criador do 'blues pesado'

Estadão

05 de fevereiro de 2011 | 23h37

Marcelo Moreira

O precursor do blues pesado, resvalando no rock – ou mesmo se unindo a ele – chama-se Pat Travers. O guitarrista canadense de 56 anos foi o primeiro a levar o timbre gordo e sujo do rock de garagem para o blues puro, criando uma sonoridade cheia de groove e peso, indo na direção oposta de Jimi Hendrix, seu ídolo.

Travers acaba de colocar no mercado norte-americano “Fidelis”, seu mais recente álbum, que jpa havia sido lançado na Europa no primeiro semestre. É mais do mesmo, e é maravilhoso, seguindo a trilha do trabalho anterior, “Travelin’ Blues”, do ano passado.

Mais blueseiro do que nunca, o guitarrista canadense dá sempre a impressão de que está se divertindo o tempo todo gravando e tocando ao vivo. Boa praça e bem relacionado, é admirado por gente como Glenn Hughes (ex-Deep Purple e Black Sabbath, atual Black Country Communion) e Brian Howe (ex-Bad Company).

Capa do CD 'Fidelis'

A comparação é grosseira, mas ele foi ontem o que hoje é Joe Bonamassa, a referência maior do blues rock mais pesado, legado que capturou de outro mestre canadense da guitarra, Jeff Healey, o ás cego que fazia miséria na steel guitar e no slide – e que morreu de câncer em 2008.

“Fidelis” é um álbum descompromissado. Tem de tudo ali, desde o jazz mais tradicional até o rock mais pauleira de sua fase oitentista. Mesmo sem ter o reconhecimento que merece, mostra que é um mestre das seis cordas e que tem público cativo, sobretudo na Europa e no Japão.

“Stick With What You Know – Live In Europe”, de 2008, é o melhor retrato do que representa a marca Pat Travers. Não é o seu melhor trabalho ao vivo, mas é excelente. Os sucessos estão lá, como “Life in London”, “Crash and Burn” e “Boom Boom”, mas há também versões contagiantes de “Born Under a Bad Sign”, clássico do blues, e “Red House”, de Jimi Hendrix.

Capa do CD 'Stick With What You Know - Live In Europe'

Patrick Henry Travers decidiu cair no rock em 1966, aos 12 anos, quando assistiu a uma apresnetação de Jumi Hendrix em Ottawa, capital canadense. rapidamente. Caiu na estrada anos depois com o roqueiro Ronnie Hawkins, praticando rockabilly. Aos 20 anos, já um astro local, partiu para Londres e em pouco termpo já tinha banda e um contrato com a Polydor Records.

Seu segundobaterista era ninguém menos do que Nicko McBrain, hoje no Iron Maiden, que gravou os dois primeiros álbuns, “Pat Travers”  (1976) e “Makin’ Magic” (1977), este último convidados ilustres como Glenn Hughes e o guitarrista Brian Robertson (Thin Lizzy, Motörhead). 

Capa do CD 'Makin' Magic'

Nos seus shows, Travers além de executar as músicas com bastante energia, deixava transparecer ser um cara bem simples, que interagia de forma descontraída com o público. A admiração de Hughes vem dessa época, quando tocou no primeiro álbum solo do baixista, “Play Me Out”, de 1977.

“Makin’ Magic” é a melhor porta de entrada para o universo pesado e revigorante de Pat Travers, cantando e tocando de forma extraordinária. Ouça “Statesboro Blues”, de Willie McTell, que se torna um rock visceral e mostra o guitarrista inspirado, empurado pela insolente e nervosa guitarra de Brian Robertson.  

Entretanto, é outra música que se tornou um hino: “Stevie”, uma balada pesada que anos depois serviu de homenagem em vários shows a Stevie Ray Vaughan, morto em agosto de 1990. O solo de guitarra ao final da música é simplesmente fantástico. Merecem destaque também “Hooked on Music” e “What You Mean to Me”.

Aproveite e também vá atrás de “Live! Go for What You Know”, álbum ao vivo de 1979, com um jovem Travers ainda disparando rajadas de fogo em sua guitarra ensandecida.

Capa do CD 'House Of Blues (Live)'

 Outra dica é ir atrás dos três álbuns gravados pelo projeto Travers & Appice,  ao lado do baterista norte-americano Carmine Appice (ex-Vanilla Fudge, Beck, Bogert & Appice, Blue Murder, King Kobra) e do extraterrestre baixista T. M. Stevens. São eles “It Takes a Lot of Ball”, “Bazooka” e “Live at the House of Blues”, que mostram Travers mais roqueiro e bem mais pesado, deixando claro que o guitarrista é o elo perdido entre Joe Bonamassa, Jonny Lang, Eric Gales, Philip Sayce e Jimi Hendrix.

Lista de músicas de “Fidelis”:

01 – Ask Me Baby
02 – Edge Of Darkness
03 – Then I Fall
04 – Josephine
05 – Save Me
06 – Stay
07 – When I’m With You
08 – I’ve Got Love To Give
09 – Tear Of Love
10 – Yeah Yeah
11 – So Missing You

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