Parte importante do metal brasileiro sumiu

Estadão

30 de agosto de 2011 | 06h48

Reafirmamos o que escrevemos há algum tempo: em tempos de internet, fanzine virou uma baita revista bem feita e bem diagramada, com textos mais bem cuidados. E o melhor, tudo virtual. É o caso da surpreendente Hell Divine, sonho de vida de um grupo de fãs de heavy metal de Brasília. Com muito trabalho e seriedade, além de boas sacadas, esse pessoal, liderado por Pedro Humangous, colocou na rede a quarta edição da revista. A iniciativa é mais do que louvável, é necessária, que pode inclusive dar o pontapé inicial para que um movimento no sentido de criar mais revistas virtuais domine o meio musical – e cultural brasileiro. O Combate Rock publica abaixo mais um interessante texto da revista Hell Divine, desta vez assinado por Pedro Humangous, sobre as dificuldades que assolam a cena metálica atualmente.
 
Pedro Humangous
 
Seguindo a idéia do Insanidade Metal da edição passada da Hell Divine – escrita por Yuri Azaghal – gostaria de lembrar de algumas bandas que simplesmente foram abduzidas e jamais ouvimos falar delas novamente. O motivo? Difícil dizer.
 
Pensando bem, com as dificuldades de se manter uma banda – principalmente aqui no Brasil – é até compreensível que ótimas bandas desapareçam do mapa sem deixar vestígios. Um dia desses estava revendo minha coleção de discos nacionais e me deparei com álbuns das bandas Fates Prophecy (O Iron Maiden brasileiro), Delpht (com o grande Mario Pastore nos vocais), Mad Dragzter, Ancesttral, Burning In Hell, Eyes Of Shiva, Vougan, Khallice, Dragonheart, Distraught, Chaosfear, Veuliah, Tiger Cult…onde foram parar essas bandas?
 
Não ouço novidades delas há anos. Isso só pra citar algumas, pois a lista é longa, infelizmente. Ao mesmo tempo que surgem dez bandas por segundo, outras tantas deixam de existir. Talvez esse seja o ciclo normal da música, eu apenas ainda não me acostumei com a idéia.
 
 Enquanto boas bandas encerram suas atividades, outras que deveriam parar há muito tempo, insistem em continuar e lançar discos detestáveis na qual – não entra na minha cabeça – as gravadoras ainda tentam vender e depois reclamam das vendas.
 
  
 
Hoje em dia, com a facilidade do mp3, cada vez menos são fabricados discos físicos, pois obviamente a procura também é menor. Muitas bandas estão inclusive preferindo lançar seus álbuns de forma digital apenas.
 
 O fato é que o preço do CD precisa cair. Se nada for feito, realmente as gravadoras, distribuidoras e lojas de discos vão sumir assim como as bandas que citei no começo desse texto. E se a cena nacional já não é das mais fortalecidas, imagina viver sem o merchandise? Daqui a pouco, até as camisetas de banda serão virtuais…
 

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