Os ecos do passado no novo trabalho do Angel Witch

Estadão

17 de abril de 2012 | 12h00

Marcelo Moreira

A onda de heavy metal que varreu a Inglaterra no começo dos anos 80 – e que ajudou a sepultar o punk rock – foi uma dose brutal de jovialidade, renovação e até de criação de música pesada de qualidade em um mundo que permanecia vinculado à dance music horripilante e à asquerosa new wave.

Entretanto, se bandas como Iron Maiden, Def Leppard e Saxon estouraram e se tornaram grandes, muitos cadáveres ficaram pelo caminho, grupos de qualidade mas que não conseguiram perfurar o bloqueio das grandes gravadoras. Foi o caso de Diamond Head, Witchfynde General, Demon, Tank e até mesmo do Tygers of Pan Tang. De vez em quando algumas delas reaparece com nova formação e lança um trabalho novo, para mergulhar em seguinda nas trevas.

Quem está tentando desta vez é a boa banda Angel Witch, um dos grande nomes da New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM), que chegou até a fazer um pouco de sombra ao Iron Maiden, mas não durou muito. O novo trabaoho acaba de ser lançado, “As Above, So Below”.

O hoje trio formado por Kevin Heybourne (Guitarra e vocais), Will Palmer (baixo) e Andy Prestridge (bateria) conseguiu o que muitos tentam, mas nem chegam perto de conseguir: um resgate convincente do passado sem soar excessivamente datado, caindo no ridículo.

“As Above, So Below” não é simplesmente um álbum de stoner rock, ou stoner metal. É uma autêntica recriação de um passado distante e nem tão glorioso para o Angel Witch. Como numa viagem a 1981, o álbum recupera a sonoridade sujoa, abafada e pesada do primeiro álbum, auto-intitulado. No meio caminho entre Black Sabbath e Judas Priest, a banda abusa das guitarras arrastadas e lentas, com passagens climáticas e densas nos arranjos de baixo e cordas.

“Witching Hour” e “Dead Sea Scrolls” são´boas músicas, pesadas e com riffs bem construídos, com potencial para se tornarem clássicos. “The Horla” é uma balada pesada e melancólica, baseada no conto “O Orla”, escritor francês Guy De Malpassant, escrito em 1887 é um dos clássicos da literatura gótica mundial. Outro bom momento é a faixa “Brainwashed”, recheada de solos virtuosos, melódicos e rápidos.

A banda foi fundada em 1977 com o nome de Lucifer e inicialmente composta pelo guitarrista Kevin Heybourne, o guitarrista Bob Downing, baixista Kevin Riddles e o baterista Dave Hogg. O nome mudou para Angel Witch após a saída do Downing. O primeiro álbum, “Angel Witch”, de 1980, teve boa repercussão no underground metálico inglês, masnão o suficiente para estabilizasse a formação da banda.

Após um intervalo de um ano, o grupo volta em 1982, com Heybourne e dois músicos da banda Deep Machine (na qual Heybourne tocou) – o vocalista Roger Marsden e o baixista Ricky Bruce -, mais o baixista Jerry Cunningham ao conjunto. Essa formação não durou muito tempo com Marsden no vocal e Heybourne reassume os vocais.

No ano de 1983 a banda encerrou novamente as atividades, e Heybourne segue para banda Blind Fury. Em 1984, Angel Witch renasce, agora com a ajuda do baixista Peter Gordelier, o cantor Dave Tattum e a volta de Dave Hogg para a bateria.

Essa formação grava o álbum mediano “Screamin’ N’ Bleedin'” (1985). Dave Hogg deixa a banda mais uma vez e foi substituído por Spencer Hollman. Com o novo baterista eles gravam o álbum “Frontal Assault” (1986), que destoou dos álbuns anteriores, com canções mais melódicas. Foi o último bom momento da banda, que se separou no final de 1986 e tentou alguns retornos frustrados nos últimos 25 anos.

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