Os Beatles em vermelho e azul

Estadão

10 de novembro de 2010 | 16h10

Lauro Lisboa Garcia

Muita gente começou a coleção dos Beatles, depois do fim do grupo, pelos dois álbuns duplos conhecidos como “Red” (1962-1966) e “Blue” (1967-1970), lançados em LPs em 1973. O relançamento dos dois títulos em CD deve servir aos mesmos propósitos agora, além de alimentar o fetiche dos velhos fãs.

Os álbuns voltam em embalagem de papel-cartão, igual aos dos 13 álbuns de carreira – todos remasterizados em Abbey Road – com os encartes expandidos, recheados com fotos raras e texto do homem de tevê Bill Flanagan.

O conteúdo é o mesmo dos LPs e da outra edição em CD, de 1993, até mesmo as mixagens em estéreo, que substituíram os originais em mono. Mas isso é detalhe para os preciosistas. Afinal, mono ou estéreo, o som é ótimo e as canções, todo mundo conhece, não há o que contestar a respeito de sua importância e permanência no tempo.

O período coberto pelas compilações está explícito nos títulos. Com 26 faixas, o primeiro (vermelho) é da fase mais ingênua, cheia de rocks deliciosos que revolucionaram a música pop mundial – como Help!, Please, Please Me, She Loves You, From Me to You, All My Loving, Can’t Buy Me Love – e baladas não menos impactantes: Yesterday, And I Love Her, Norwegian Wood, Nowhere Man, In My Life, Girl.

Eleanor Rigby e Yellow Submarine fazem a transição para a fase seguinte, ainda mais sensacional, psicodélica, experimental, politizada, enfim, “adulta”.

O disco azul é contemplado na primeira parte com clássicos do sublime Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Embora para muitos seja um sacrilégio que se tenha apenas parte desse álbum conceitual, A Day in the Life está ali na íntegra com sua orquestração climática, ao lado de outras pedras fundamentais, como With a Little Help from My Friends – mais três canções do “White Album” e os lamentos finais de Something, The Long and Wind Road, Across the Universe e Let It Be. Flechadas certeiras.

É claro que é mais um caça-níqueis, mas esse tem história e é um bom começo pra quem ainda não os “descobriu” (o que é difícil), para depois ir ao que mais interessa: os álbuns originais na íntegra.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: