Os anos de chumbo do Deep Purple em belo documentário

Estadão

07 de julho de 2011 | 07h00

Marcelo Moreira

Uma banda esfarelando, com músicos entupidos de drogas e fazendo apresentações lamentáveis. Esse é o retrato que normalmente é pintado do Deep Purple em sua fase Mark IV, ou seja, em sua terceira formação, que durou do começo de 1975 ao final de 1976. É a fase que marca a saída do guitarrista Ritchie Blackmore e a entrada do norte-americano Tommy Bolin.

O retrato é tem lá as suas verdades, como bem já declararam o vocalista David Coverdale e o baixista e vocalista Glenn Hughes, integrantes da banda à época – completada pelos membros fundadores Jon Lord (teclados) e Ian Paice (bateria). Só que nem tudo era fim de feira e esbórnia total. É isso o que tenta provar o documentário “Deep Purple – Phoenix Rising”, que deve ser lançado em 28 de junho a Eagle Rock Entertainment nos Estados Unidos e na Ingaterra.

Serão mais de duas horas de um documentário muito bem feito sobre a formação da banda naquele período, contando todos os podres, mas também as muitas coisas boas produzidas pela banda naquele períoso. A obrará trará, por exemplo, 30 minutos de imagens inéditas direto do palco captadas em uma raríssima apresentação no Japão.  “Phoenix Rising” será lançado em DVD, Blu-ray e em um pacote especial de dois discos em DVD/CD.

A formação conhecida como Mark IV: daesq. para a dir., Bolin, Hughes, Lord, Coverdale e Paice

Boas e longas entrevistas com o tecladista Jon Lord e o baixista Glenn Hughes contam a história de uma banda de uma banda que tentava se equilibrar depois de sofrer seguidas baixas – o vocalista Ian Gillan e o baixista Roger Glover haviam partido no final de 1973 e Blackmore, em meados de 1975.

Mais do que tudo, a saída de Blackmore foi um trauma difícil de superado, já que ele era o mentor intlecetual da banda, a identidade sonora e a própria personificação do Deep Purple.

 A chegada de Tommy Bolin, que havia tocado na banda progressiva Zephyr e na James Gang, mudou o som da banda e e a direcionou para outro patamar, ao mesmo tempo em que mergulhou o quinteto em um turbilhão sonoro e comportamental que terminou com a dissolução do grupo após um terrível show em Liverpool, em 1976.

 O álbum”Come Taste The Band” (1975) documenta a breve era Bolin, uma era que acabou em escombros quando a banda anunciou em julho de 1976 que estava se separando. Em dezembro, Bolin morreria em decorrência de uma overdose de heroína. 

Os inéditos 30 minutos do bootleg então conhecido como “Rises Over Japan”, tem a formação conhecida como Mark IV se apresentando em 1976 com oito músicas  – “Burn”, “Getting Tighter”, “Love Child”, “Smoke On The Water”, “Lazy”, “Homeward Strut”, “You Keep On Moving” e “Stormbringer” (o pacote de disco duplo contém essas oito músicas em CD). Esse segmento é uma das poucas imagens em vídeo que mostram Tommy Bolin em performance no Deep Purple.

Tommy Bolin: virtuoso, genial e transtornado

O documentário tem o mérito de acabar com algumas lendas acerca dos supostos excessos etílicos e de drogas dos integrantes, mas, ao mesmo tempo, pasa ao largo de certas polêmicas, como o fato de que as brigas entre Coverdale, Hughes e Bolin era constantes.

Além disso, também passa batido em relação ao clima ruim que dominou o período final daquela formação, quando guitarrista praticamente tinha deixado a banda de lado, dando prioridade para a sua carreira solo – uma das condições para sua entrada na banda era que continuasse gravando seus próprios trabalhos e que tivesse liberdade de tocar e gravar com quem quisesse, fato que irritava profundamente Lord e Paice. Ainda assim, é um documento imperdível para colecionadores e amantes do bom rock pesado. O pacote não tem previsão de lançamento no Brasil.

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