Offspring repete receita dos anos 90 e conquista plateia

Estadão

15 Setembro 2013 | 21h21

Roberto Nascimento

Deve ter sido a introdução mais curta e grossa já vista na Cidade do Rock.”Okay! iá iá iá iá iá”, mandou ver Dexter Holland, emendando o refrão de All I Want, um de vários hits do seu popular grupo de punk pop noventista, The Offspring, no começo da segunda noite da programação do Rock in Rio.

Havia algo de decadente em sua rapidez, algo que já deve ter representado objetividade punk, mas hoje em dia soa mais como um desanimado esforço para colocar o corpo em movimento. Lembrou Krusty, o falido palhaço dos Simpsons, que como Dexter, um dia já esteve na crista da onda. Mas para os fãs que vieram ouvir a trinca de atos nostálgicos, Marky Ramone, Capital Inicial e The Offspring foi o estopim para o esquentado empurra empurra que serve de termômetro para shows de hardcore deste tipo.

Desde o final dos anos 90, quando o Offspring era idolatrado no Brasil ao lado de Charlie Brown Jr, este atrito é eficaz. E Dexter, um ex-biólogo, molecular californiano sabe bem como instigá-lo. Bastaram 15 minutos e então estavam todos sob o comando do inchado quarentão de cabelos oxigenados, que antes do show pediu que os fotógrafos assinassem um termo de responsabilidade, com o compromisso de publicar apenas as fotos que tem o aval da produção. Mais digno seria se Dexter aceitasse sua barriguinha e cantasse sem frescura, mas mesmo assim o Offspring, que teve participação de Marky Ramone na bateria, pegou no tranco. Bastou a clássica Come Out and Play e sua introdução de surf rock arábico, para que todos fossem transportados para o tempo dos CD players. Ou a cortante Self Esteem, para que toda a confusão adolescente borbulhasse na memória dos fãs amadurecidos.

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