O vasto e rico legado de George Harrison

Estadão

29 de novembro de 2011 | 15h39

Marcelo Moreira

George Harrison foi um artista discreto, mas jamais ingênuo, como às vezes alguns biógrafos dos Beatles tentam passar. Tímido sim, mas silencioso não. Nunca reclamou por ser o músico injustiçado enquantos os Beatles existiram, mas sempre se posicionou firmemente quando questionado sobre sua contribuição para a banda e sobre a qualidade de suas músicas.

Se o marketing não era o seu forte, por outro lado tinha a convicção forte de que sua obra falava por si. Desde o primeiro álbum solo, o triplo “All Things Must Pass”, de 1971, até as músicas mais pop, como “When We Was Fab”, “All Those Years Ago” e “Got My Mind Set On You”, o guitarrista sempre deixou que o som ressaltasse a sua genialidade e a sua técnica incomum de execução do instrumento.

Ao mesmo tempo, desde o início se mostrou bem mais atento à cena musical do que os colegas de Beatles. Enquanto Paul McCartney se deslumbrava com a cena multicultural de Londres nos anos 60 e John Lennon flertava com o cinema, pelas mãso do diretor Richard Lester (que dirigiu “A Hard Day’s Night” e “Help”), George preferia ficar à espreita do que tocava no rádio.

Não teve dúvidas em indicar os Rolling Stones  para a Decca Records no comecinho de 1963 – a mesma gravadora que recusara os Beatles no ano anterior; foi o primeiro a flara públicamente das qualidades das canções dos Kinks e da fúria dos Who, ainda em 1965; ficou muito amigo de Eric Clapton, amizade que durou até o fim de sua vida; seguia todos os passos de Jimi Hendrix, ajudado pelos relatos do amigo Clapton; se não se entusiasmou com o que viu e ouviu, pelo menos teve o interesse de conferir os trabalhos de Steve Winwood na época de Spencer Davis Group e o Pink Floyd; e já na década de 80 não se importou em ser apenas mais um nos Travelling Wilburys, supergrupo que formou ao lado de Roy Orbison, Jeff Lynne (Electric Light Orcgestra), Tom Petty e Bob Dylan.

Harrison morreu há exatos dez anos em Los Angeles, vítima de câncer. Seu legado é estupendo em qualquer aspecto que for analisado. Clique  abaixo dois trabalhos especiais do Estadão.com.br recontando com detalhes da trajetória do beatle morto em 2001.

A trajetória de George Harrison, de período a período.

George Harrison à brasileira.

Dez motivos para George Harrison ser o seu beatle favorito.

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