O Van Halen continua assombrando Sammy Hagar

Estadão

03 de fevereiro de 2012 | 22h00

Marcelo Moreira

Sammy Hagar é um artista que poderia se considerar realizado. Revelado por uma das grandes bandas de hard rock dos anos 70, o Montrose (injustamente subestimado), construiu uma sólida carreira solo entre 1976 e 1984 e conheceu o sucesso estelar quando substituiu David Lee Roth no Van Halen em 1985. Virou referência como vocalista no hard rock mundial.

Com algumas recaídas, conseguiu lidar bem com a frustração e a mágoa de ter sido demitido da banda em 1995, mas aparentemente sempre manteve a serenindade e o bom humor, mesmo quando criticava seus ex-companheiros de banda.

E tudo deveria estar maravilhosamente bem para o cantor neste tempos em que sua nova banda, Chickenfoot – um supregrupo que conta ainda com o guitarrista Joe Satriani, seu ex-companheiro de Van Halen Michael Anthony no bairo e Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) na bateria -, colhe os frutos de dois dois ótimos CDs lançados desde 2009 e um grande sucesso nas paradas norte-americanas, com shows lotados pelo país.

A banda Chickenfoot: Hagar é o último à direita

Entretanto, toda a badalação em torno do retorno do Van Halen mexeu com os brios do cantor sessentão e com fama de boa vida. Hagar deixou o bom humor de lado em uma desnecessária e rancorosa entrevista dada à Radio Metal, dos Estados Unidos, nesta semana.

“Pelo o que eu ouvi até agora, nada do que eles [Van Halen] estão fazendo me impressionou. Escolheram a saída mais fácil e regravaram algumas coisas antigas, reciclando e repaginando. Quem é o Van Halen hoje? Eu não sei. Para mim essa fato dá a seguinte declaração: ‘Nós não somos mais uma banda, não somos criativos’.

O rancor ainda vai mais longe. “O que ouvi tem zero de inspiração e zero de criatividade. Se houvesse alguma criatividade, eles escreveriam novas músicas. Quando formamos o Chickenfoot, nós gravamos 10 de 12 músicas que compusemos e quando foi o momento de gravar o segundo álbum, não usamos as duas que deixamos de fora, fizemos músicas novas.”

Para completar, um pontapé forte no ex-amigo Eddie Van Halen. “Adoro a comparação entre Chickenfoot e Van Halen. Só pode ser brincadeira. Hoje, quem canta mais: Dave ou eu? Quem toca mais: Alex ou Chad? Quem toca e canta mais: Wolfgang ou Mike? E, hoje, quem toca mais: Eddie ou Satriani? Esqueça todas as inovações de Eddie. Hoje não há comparação entre os dois. Toquei com ambos e posso falar”.

Os dois trabalhos do Chickenfoot são excelentes e retiraram o hard rock do limbo em que se encontrava, mas desqualificar o bom trabalho feito pelo Van Halen em “A Different Kind of Truth” não vai ajudar Hagar a expiar os fantasmas do passado. O sucesso do Chickenfoot parece não ser suficiente para o bom vocalista que Hagar é. Por essa ele não esperava, mas o Van Halen vai continuar assimbrando-o por muito tempo.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: