O triunfo da deusa Joss Stone

Estadão

30 de setembro de 2011 | 23h38

Jotabê Medeiros

No backstage do palco Sunset, 20 minutos antes de entrar no palco, Joss Stone andava para lá e para cá descalça, como um fada destrambelhada, uma Sininho fashionista. Furioso, um responsável da produção encara fotógrafos que saem do controle, mas não adianta: sua figura esguia e sorridente, seu corpo retilíneo e sua voz de diva precoce enchem de excitação o lugar, e não tem VIP que consiga concorrer. Então ela some de vez e ressurge num canto fotografando com uma jovem fã.

Em 20 minutos frenéticos, Joss entra e sai do camarim, correndo como um coelho de Alice. Quando afinal entra no palco, cerca de 80 mil pessoas a aguardam eufóricas, mas em ritmo de piquenique. É como se ela fosse ainda incapaz de transmitir uma emoção funda, como Aretha Franklin, mas tivesse algo mais a mostrar do que algumas postulantes do R&B à posição que naufragaram, como Mariah Carey. Joss entrega emoções platinadas em cascata, como os cachos dourados do seu cabelo.

Os hits se sucedem num ritmo meio cronológico e a plateia não refuga os refrões. Ela abre com You Had Me, do disco Mind, Body and Soul, de 2004. Então vem Free Me, do quarto disco da cantora, de 2009, Colour Me Free. Tão jovem e tão cheia de sucessos, tão cheia de si.

Joss Stone maravilhou o público no Rock in Rio (Foto: EVELSON DE FREITAS/AGENCIA ESTADO/AE)

Depois vem Karma, e só então chega o superhit, Super Duper Love. Só no final ela canta sua nova profissão de fé, Newborn, que marca sua independência artística – com essa música, ela rompeu com a gravadora antiga e lançou disco por selo próprio.

Sedutora com seus gestos e sorrisos, fazendo pose de rapper ou de menininha com um urso de pelúcia, ela é um portento sensual, embora nem pareça ter muito controle disso. Mas uma garota que se sai bem numa banda em que Mick Jagger é o outro cantor não pode ser totalmente ingênua (ela é vocalista da Superheavy, que tem Damian Marley e Dave Stewart, do Eurythmics).

O público de Joss Stone no Palco Sunset superou tranquilamente o recordista até então, o Sepultura. Recentemente, a cantora afirmou que muita gente esperava que ela, quando estourou, aos 16 anos, em pouco tempo se tornasse “intensa demais”. Mas ela descobriu logo que isso seria farsesco, que era melhor mostrar que também tinha um lado de futilidade próprio da idade.

O seu show atual tem esse componente de futilidade, embora pareça sempre que a voz dela não sai exatamente de si, mas de algum lugar exterior, como se não fosse possível. Mas sim, é possível. Ela aprendeu a domar as massas e a usar a seu favor o fato de ser escandalosamente bonita e talentosa. Contra os clichês e o próprio marketing, Joss Stone triunfou.

Tudo o que sabemos sobre:

Joss StoneRock in rioRock in Rio 4

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: