O stoner rock em alta com o Spiritual Beggars

Estadão

12 de janeiro de 2011 | 16h27

Marcelo Moreira

Um movimento “revivalista” que se renova a cada ano. A contradição explícita é a melhor definição para o stoner metal, o subgênero que tenta recriar o rock pesado e datado dos anos 70, tendo sempre Black Sabbath, Blue Cheer e Uriah Heep, entre outros, como referência.

Se há a vertente mais pop e mais acessível, como as bandas Queen of the Stone Age e Wolfmother, existem também as tradicionalistas e puristas, que formam a maioria das integrantes do subgênero.

No mar imenso de bandas que surgiram no estilo, talvez a mais representativa, justamente por reunir em seu trabalho todos os ingredientes do stoner rock, é o quinteto sueco Spiritual Beggars, que chega ao sétimo álbum neste final de 2010, “Return to Zero”.

Foram cinco anos sem gravar. Começou como um projeto paralelo de vários amigos que integravam bandas grandes de metal extremo, gente famosa na cena metálica europeia, como Michael Amott, o mentor e líder da banda alemã Arch Enemy – apesar de ser sueco.

Com o tempo o que era apenas um projeto se transformou em uma banda bem-sucedida e requisitada em festivais na Europa. Vendendo bem e cada vez mais solicitada, os integrantes ficaram em uma encruzilhada: investir no stoner rock e no Spiritual Beggars ou voltar ao detah metal?

Até onde conseguiram, forma tentando conciliar os vários compromissos. O vocalista Janne “JB” Christoffersson, por exemplo, deixou de forma amigável os amigos para se concentrar somente no Grand Magus, outra excelente banda de stoner metal sueca.

O substituto é o grego Apollo Papathanasio, de currículo modesto na Europa, mas de voz poderosa e timbre perfeito para o estilo.

O Spiritual Beggars agora soa mais pesado e cada vez imerso no som setentista. O tom melódico da voz de Papathanasio fez o resto da banda também mudar e a sonoridade desse álbum lembra em muitos momentos o Black Sabbath da fase Tony Martin – execrado pelos fãs, mas respeitado por qualquer músico e fã inteligente que se preze.

O mergulho profundo ao hard rock dos anos 70 fica explícito na excelente versão de “Time to Live”, do Uriah Heep, uma versão improvável para uma ótima canção, mas que não é destaque na discografia dos ingleses – está no álbum “Salisbury”, de 1971.

“Lost in Yesterday” e “Star Born” remetem diretamente ao Black Sabbath, com suas sonoridades densas. “The Road Less Travelled” é uma balada excelente, com seu tom melancólico e arrastado, mas com letra extremamente bem feita.

“A New Dawn Rising” provavelmente é a melhor do álbum, por mais estranho que pareça, já que destoa um pouco da pegada hard setentista. Tem uma sonoridade mais moderna, muito próxima do heavy metal, com guitarras pesadas e cortantes.

O stoner rock é desprezado por gente pobre de espírito, que consideram o subgênero como música “velha e retrógrada”. Coisa de gente pouco instruída. Seja como for, parece que há cada vez mais gente interessada em coisas velhas e retrógradas.

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