O show explosivo do Foo Fighters

Estadão

09 de abril de 2012 | 06h50

FELIPE BRANCO CRUZ e PEDRO ANTUNES

Um Dave Grohl empolgado e uma plateia de 75 mil devotos. Não poderia dar errado. O Foo Fighters encerrou o primeiro dia de shows do festival Lollapalooza, no Jockey Club, na zona sul, anteontem, com uma apresentação explosiva.

Qualquer outro adjetivo seria inútil para retratar a comoção que se viu por ali. No palco Cidade Jardim, por 2h30, eles mostraram por que são considerados a maior banda de rock da atualidade. E Grohl, por que é o cara mais bacana da atual cena musical.

Tudo se deve ao carisma de Grohl. O sujeito, que viu seu mundo desmoronar em 1994, com a morte do amigo e líder do Nirvana Kurt Cobain, conseguiu se reerguer com seu Foo Fighters. E a banda não para de crescer.

Não estamos falando da quantidade de integrantes, que também cresceu – passou de quatro, do início, para seis – mas também em popularidade e aceitação da crítica. Na premiação do Grammy deste ano, por exemplo, Grohl levou cinco estatuetas com o último disco, Wasting Light, lançado no ano passado e gravado na garagem do vocalista e guitarrista.

O novo álbum mostrou-se poderosíssimo ao vivo. Mais pesado que os seis anteriores, Wasting Light cedeu cinco canções para o set list de 26 – e poderia ter sido mais. Rope, a primeira apresentada, ganhou mais potência nas três guitarras e baixo.

Walk, outra dessa nova safra, foi tão forte como Times Like This e The Pretender. O refrão (“I never wanna die”, algo como “eu não quero morrer”), gritado por Grohl como se não houvesse um amanhã, arrebatou o público, que cantou junto. Mas o show já começou com um soco no estômago, como a incendiária All My Life, tirada de outro álbum, One by One (2002), que durou quase cinco minutos, entre paradas e voltas ao refrão.

Foo Fighters em São Paulo ( Foto: JB NETO / AE)

Em um dia em que as filas para comprar comida e bebida e o sol foram maiores problemas do que a pontualidade das bandas, o Foo Fighters fez melhor. Entrou três minutos antes do previsto, às 20h27. A loucura generalizada foi regida por um sempre sorridente Dave Grohl.

“É a primeira vez que viemos a São Paulo. Muito prazer. Eu sou Dave Grohl e nós somos o Foo Fighters”, disse o frontman. A única passagem do grupo por aqui foi em 2001, no Rock in Rio, mas eles não eram ainda tão grandiosos.

Para uma primeira apresentação, Grohl escolheu ser generoso e trouxe seus maiores hits. Learn To Fly, a poderosa My Hero, Big Me, Generator e Monkey Wrench. Guardou Best of You e Everlong para terminar a primeira parte do show e o bis, respectivamente.

Boa praça, Grohl fez média com o público mais velho e mostrou reverência aos roqueiros que vieram antes dele. Fez cover de In The Flesh?, do álbum The Wall (1979), do Pink Floyd, e chamou para o palco a garota que não liga para sua reputação Joan Jett (ok, aos 53 anos, ela não é mais uma garota).

Juntos, tocaram Bad Reputation e I Love Rock’n’Roll, do repertório clássico da cantora. A banda se mostrou azeitada, acelerando e pausando as canções com perfeição, enquanto as 75 mil pessoas ali deliraram – até o fim.

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