O rock servindo de escada na terra dos oportunismos

Estadão

10 Fevereiro 2013 | 23h15

Marcelo Moreira

Há alguma dúvida de que parte do enredo da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, do Rio de Janeiro, é oportunista? Tratar do Rock in Rio na avenida não só é idiotice, como uma total falta de discernimento histórico-cultural. Não faz sentido.

Não basta fazer um sambinha ridículo (total redundância) misturando termos como rock, guitarra, heavy metal e outras para exaltar “uma cultura importante e um evento que resplandece o Brasil no exterior”. Ninguém na plateia e na TV que gosta deste espetáculo de gosto duvidoso e de qualidade musical débil dá a mínima ao rock (ainda bem).

Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, Yves Passarel, guitarrista do Capital Inicial, e outros músicos do rock que participaram ou deveriam participar do “desfile” foram inocentes úteis?

Ou realmente se transformaram em arroz de festa loucos por holofotes, como o “músico” Evandro Mesquita, dublê de ator de segunda categoria e líder de uma comédia sem graça chamada Blitz?

Rock, samba e carnaval são incompatíveis, dois mundos diferentes que não deveriam se misturar. Mas tem gente que insiste. Os resultados não costumam ser bons, mesmo que algumas iniciativas não sejam necessariamente desastrosas – a banda Huaska mistura rock pesado e bossa nova, por exemplo: é esquisito, mas não tão absurdo.

Entretanto, a iniciativa da escola de samba foi totalmente oportunista e desprovida de sentido, exceto pelo fato de que talvez tenha havido algum tipo de patrocínio. Tal situação não merece respeito nem mesmo como mera curiosidade. O destino será a lata de lixo da história – e com a escola de samba rebaixada.