Um rápido panorama do melhor do progressivo europeu

Estadão

18 de fevereiro de 2011 | 08h15

O Combate Rock completa seis meses de atividade e, ao que parece, conquista mais leitores a cada dia que passa. Muitos dos novos por aqui pedem coisas que já comentamos aqui, lá no começo, em meados de 2010. Em respeito a esses leitores, estamos republicando este texto que atende ao menos em parte algumas reivindicações. De vez em quando faremos isso até para que muitas de nossas informações possam ser aproveitadas da melhor forma possível.

Marcelo Moreira

O Transatlantic, supergrupo formado por membros do Dream Theater, Marilli0n, Spock’s Beard e Flower Kings, faz sucesso na Europa, enquanto que o Trans-Siberian Orchestra, com músicos do Savatage, é campeão de bilheterias nos Estados Unidos. As duas bandas são o sinal mais visível de que o rock progressivo está mais forte do que nunca, especialmente na Europa.

A quantidade de novos grupos que surgem é impressionante, sobretudo na Escandinávia, celeiro dos melhores instrumentistas de rock do mundo na atualidade. A Inglaterra ainda manda, mas perde cada vez mais terreno.

Da Suécia aparecem os melhores e os que fazem mais sucesso. O Pain of Salvation é liderado pelo guitarrista e vocalista Daniel Gildenlow, exímio músico e um artista extremamente inteligente e bem informado. Não admite conceber uma obra que não seja conceitual. À beira dos 20 anos de carreira, o grupo lançou neste ano seu melhor trabalho, “Road Salt ONe”, indo mais longe do que os anteriroes, “Be e “Scarsick”, e segue cada vez mais em direção ao prog metal.

Pain of Salvation

O Flower Kings é liderado por outro intelectual, o guitarrista e vocalista Roine Stolt, que é também um dos cérebros do Transatlantic. Já lançou 14 álbuns, o último em 2007, o estupendo “The Sum of No Evil”. Fica no meio termo entre o Pink Floyd e o neo-progressivo inglês, movimento dos anos 80 liderado por Marillion, Pendragon, IQ e Pallas.

Da Noruega aparecem outros dois excelentes grupos. O Magic Pie é mais fiel ao rock progressivo tradicional, com sua sonoridade calcada nos anos 70, lembrando em muitas passagens os norte-americanos do Kansas, fazendo uma mistura ainda mais eclética que a do Flower Kings. Surgiu em 2001 e é liderada pelo guitarrista Kim Stenberg e pelo vocalista Erik Hanssen. Com dois álbuns no currículo, lança em janeiro seu novo álbum, “The Suffering Joy”.

Magic Pie

O Green Carnation é mais antigo e tem origem no cenário death/black metal, que fortíssimo na Noruega. A banda surgiu a partir do ex-baixista do Emperor Terje Vik Schei em 1990. Seus cinco CDs ganharam notas máximas em revistas europeias e japonesas, coisa que pouquíssimias bandas conseguiram. Seus melhores trabalhos são “Blessing in Disguise” (2003) e “The Quiet Offspring” (2005). O último, “Acoustic Verses”, de 2006, é o mais bem sucedido.

O alemão RPWL é um clone do Pink Floyd, mas isso não é ruim. Ajudou a moldar uma sonoridade cativante e extremamente bem elaborada, com guitarras bem produzidas e execuções primorosas. Já são nove álbuns em 13 anos de carreira, o mais recente deles lançado no começo deste ano “The Gentle Art of Music”. O melhor, entretanto, é “God Has Failed”, o primeiro, de 2000.

RPWL

A banda mais surpreendente é o Riverside, da Polônia – outro celeiro de ótimas bandas de heavy metal progressivo. Mais próxima do Dream Theater, tem em sua formação músicos com sólida formação erudita.

O líder é Mariusz Duda, multi-instrumentista e vocalista, que é o responsável pelo conceito do excelente álbum “Anno Domini High Definition”, de 2009, o quinto CD da carreira de dez anos. Em alguns momentos, a sonoridade lembra a banda húngara Solaris, famosa nos anos 80 na Europa e na ativa até hoje.

Riverside

Da Holanda o maior nome é o Star One, que ressurgiu neste ano com o fabuloso álbum “Victims of the Modern Age”, o terceiro álbum, mas que vem à tona depois de sete anos. A banda é criação do guitarrista Arjen Anthony Lucassen, o mentor dos projetos Ayreon (que é a sua prioridade), Stream of Passion e Ambeon.

Bem relacionado, sempre consegue nomes estelares para participar de seus projetos. Os nomes passam por Bruce Dickinson (vocalista, Iron Maiden), Fish (vocalista, ex-Marillion), Alice Cooper, Damian Wilson (vocalista, Rick Wakeman e Threshold), Russell Allen (vocalista, Symphony X), Dave Brock (vocalista, Hawkwind), Erik Norlander, Lana Lane, Floor Jansen (After Forever), Gary Wehrkamp (teclados, Shadow Gallery) e muitos outros.

O próprio Lucassen chama o Star One de banda de “space metal”, já as letras e o conceito sempre giram em torno de histórias de ficção científica, ao melhor estilo “Jornada nas Estrelas”.

No berço do progressivo destacam-se o Porcupine Tree (já comentado neste Combate Rock)e o Threshold, que  Threshold está de vocalista novo e é um dos nomes fortes do heavy metal progressivo da atualidade. Não é tão pesado quanto o Dream Theater, mas tem uma pegada metal única, quase se aproximando do Symphony X.

Threshold, ainda com o vocalista Mac na formação (quarto da esq. para a dir.)

O novo cantor é Damian Wilson – nem tão “novo”, já que cantou na banda de 1990 a 1997. Deu lugar a Andrew “Mac” McDermott, que decidiu largar repentinamente o grupo logo após o lançamento do último álbum, “Dead Reckoning”, de 2007. Chamado às pressas para a turnê do álbum, Wilson foi ficando e praticamente foi “obrigado” a gravar o novo álbum, “TBA”, que será lançado em fevereiro de 2011.

O Glass Hammer é tão inglês, mas tão inglês, que pdoeria perfeitamente passar por uma banda inglesa de rock progressivo. Mas a banda foi criada no Tennessee, nos Estados Unidos, em 1992, mas passa tanto tempo na Europa que isso se reflete em seu som. Os destaques são o casal de vocalistas, Carl Groves e Susie Bogdanowicz , que protagonizam duetos fantásticos.

Claramente influenciado por Yes, aposta em sonoridades “vintage” e em letras viajantes e quase ininteligíveis. Poucos grupos de rock progressivo chegaram tão perto dos anos 70 como o Glass Hammer, que acaba de lançar o álbum “If”.

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